Alvos O bullying é uma ameaça que se manifesta a partir de brincadeiras sem graça

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O bullying é uma ameaça que se manifesta a partir de brincadeiras sem graça


Por André Zara

 
Foto: Shutter Stock
"Tudo que é diferente é visto com olho torto. Apesar de ainda estar no começo da minha pesquisa já ouvi muitos relatos pesados, de coisas inacreditáveis. As pessoas realmente ficam marcadas com as agressões físicas e psicológicas e muitas não conseguem superar. É impressionante o que a falta de respeito mútuo em uma escola pode causar. Eu mesma sofri com isso, mas hoje luto para que não aconteça com outras pessoas”, conta a professora Maria Dolores Alves.
A educadora trabalha em sua tese de doutorado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e realiza uma pesquisa inédita no Brasil sobre bullying. Em seu trabalho acadêmico, Maria Dolores quer investigar como essa prática afeta os estudantes com deficiência e descobrir como acabar com esse tipo de comportamento nas escolas. Iniciada em abril, a pesquisa já reuniu relatos de mais de 50 pessoas por meio da internet e espera recolher muito mais, pois sabe que quem é diferente corre riscos de ser hostilizado no ambiente escolar. Mas o que diferencia uma simples brincadeira ou desavença entre jovens do implacável bullying? 

Motivos
 
Segundo a professora e pesquisadora Cleodelice Fante, o fenômeno não é novidade nas salas de aula, entretanto começou a ser mais discutido após eventos ocorridos no exterior. Casos de suicídios e de atiradores que assassinaram colegas trouxeram à tona os dramas de estudantes excluídos. A própria palavra é uma expressão da língua inglesa, que serve para classificar perseguições e violência entre alunos. Ela não tem uma tradução específica, porque muitas situações podem ser classificadas como bullying. Mas Cleodelice, que também é autora do livro “Fenômeno bullying”, explica que existem algumas formas para caracterizá-lo. “O mais importante é que ele é uma forma de violência moral ou física entre pares, sem provocação, em que o agressor tem a intenção de causar dano. Outro fato observado é que existe um grande desequilíbrio de poder: um grupo ou indivíduo mais forte agride um mais fraco”, explica a professora.
Como não há provocação, o fenômeno também é muito difícil de ser explicado. Afinal, o que leva uma criança a ser cruel com outra? Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), em 2002, envolvendo 5.875 estudantes de 5ª a 8ª séries, de onze escolas do município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de bullying. Mais de 16% foram alvos das ações dos colegas, 12% foram autores e 10,9% sofreram e praticaram agressões.
Quando perguntado aos autores do bullying, por que eles faziam isso, a resposta mais dada foi que a ação “era engraçada”, seguido de “fariam o mesmo comigo”. Outra pesquisa, realizada em 2008 pela Universidade Católica de Brasília (UCB) com 202 alunos da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, de duas escolas públicas de Ceilândia (DF), descobriu que 16% dos agressores faziam porque “a vítima é diferente dos outros”. A análise também revelou que as crianças não contam sobre as violências sofridas para professores e familiares.
“O fenômeno reflete nossa sociedade. Tem um conjunto de causas que podem derivar do modelo e dos valores da escola, de uma família permissiva e da reprodução da mídia. São modelos aprendidos. As pessoas com deficiência são um grupo de risco, por serem mais vulneráveis ou, em caso de atraso mental, por não entenderem o que está acontecendo”, diz a professora.
Segundo Maria Dolores, os alunos com deficiência podem também sofrer violência física, o que ocorre principalmente com pessoas com atraso intelectual. “O bullying traz sofrimento para a vítima e acontece em todos os níveis. A intervenção de um adulto é necessária porque muitas vezes a violência pode levar a pessoa à depressão e até ao suicído”.

Reconhecer o perigo
 
Os pais devem ficar atentos aos sintomas para descobrir se o filho está sendo vítima do bullying. De acordo com as professoras, a criança pode manifestar mudanças de comportamento, problemas físicos e queda no rendimento escolar. “O importante é estabelecer um diálogo. Se perceber que seu filho está sendo agredido, vá até a escola, exponha a situação, e exija que a instituição tome uma providência. O pior jeito de lidar com situação é ignorando-a”, confirma Cleodelice Fante.
Preocupado com o assunto, o Ministério Público de Santa Catarina criou em janeiro de 2009 um programa de combate ao bullying no Estado. A ideia é impedir agressões nos colégios e promover palestras para conscientizar as escolas. Em casos graves, o órgão governamental recomenda levar o fato até o Conselho Tutelar da cidade e em último caso até a uma delegacia.
Infelizmente, o bullying ainda é uma realidade, como foi o caso de um colégio estadual no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo. Em 2006, Daniela Chalegre, mãe de Pedro Roberto, um menino autista com 12 anos, foi matriculado nessa escola, que o recebeu pela pura obrigação de inserir um aluno com deficiência. Aceitar a matrícula não significa incluí-lo, tanto que o garoto sofreu bullying por parte dos colegas de sala e da professora. “Foi nessa escola que encontrei todas as dificuldades possíveis para o meu filho”, afirma.

Foto: Sxc.hu
De acordo com Daniela, no segundo dia de aula, Pedro chegou em casa com hematomas pela perna. No terceiro dia, a diretoria da escola a chamou para uma conversa. Quando Daniela entrou no prédio, e passou pelo pátio, se deparou com uma cena deplorável: seu filho estava sendo esmurrado por 6 crianças e não havia nenhum funcionário por perto. Ao conversar com a professora, teve outra situação desagradável, a docente disse que não era de acordo que Pedro estudasse com alunos “normais” e que a tese de sua monografia de pós-graduação era justamente contra a matrícula de alunos com deficiência em escolas regulares. Para completar, a diretora disse a mãe que não via a hora de Daniela tirar o filho daquela escola. “Eu conversei com todos os responsáveis, mas nada foi feito. Eu e meu marido sentimos na pele o que é ficar desamparado pela lei”, diz Daniela.
No entanto, existem bons exemplos e informações que evitam situações desagradáveis como essas. Foi o caso da escola Dom José Ferreira Alvares, de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. “Tivemos o problema na escola há três anos, quando recebemos uma grande transferência de alunos. Nós temos muitos estudantes com deficiência e nunca houve problemas, mas vimos que algo estava errado. As crianças se olhavam tortas e havia uma clara divisão entre elas. Desde o pessoal da limpeza até a diretoria, sentia que se não fizéssemos algo, alguma coisa mais grave poderia acontecer”, diz a professora de educação física do Instituto Social Educacional, Magali Lima.
Antes da situação piorar, ela realizou uma ação de sensibilização com os alunos novos. “Nós os vendamos para que sentissem as dificuldades que uma pessoa com deficiência sente. Eles sentiram na pele os obstáculos, e tiveram uma incrível melhora. A conversa foi muito importante, pois assim mostramos que um acidente ocasional poderia transformá-los em uma pessoa com mobilidades reduzidas”, explica a professora.
A escola também tem como objetivo manter a convivência entre os alunos e não segregá-los. “Nossos alunos com deficiência participam de tudo o que os outros jovens fazem. Também os incentivamos a ajudar os colegas, para serem mais sensíveis às suas necessidades. Tudo que é novo dá medo, mas com o tempo as crianças superam”, conclui a educadora.

Fonte: Revista Sentidos

Ser competitivo é bom ou ruim para a saúde mental do adolescente?

Ser competitivo é bom ou ruim para a saúde mental do adolescente?


A resposta é: ambos. Mas depende de como se faz isso. Competir para vencer se mostrou ruim para as relações sociais das meninas e também está ligado ao aumento dos níveis de sentimentos depressivos, mas em níveis menores daqueles vistos nos meninos. Já competir para se superar mostrou benefícios para ambos os sexos.
1038332 sxc Ser competitivo é bom ou ruim para a saúde mental do 
adolescente? O estudo, conduzido por David Hibbard, da Universidade Estadual da Califórnia, e Duane Buhmester, da Universidade do Texas, ambas nos EUA, mostrou a influência da competitividade no bem-estar psicológico e nas interações sociais em adolescentes. Os resultados foram publicados no periódico Sex Roles.
A competitividade se mostrou tanto uma virtude quanto um vício. A vitória de uma pessoa pode ser a perda de outro alguém. Quando levada muito a sério, o sentimento que prevalece é de egoísmo (se achar melhor que os outros). Consequentemente, a competitividade pode levar a sérios problemas de sociabilidade ou emocionais, com consequências diferentes em meninos e meninas.
Mas as implicações da competitividade, tanto para homens quanto para mulheres, na adolescência – uma época de formação da própria identidade – envolve diversos níveis de ambição e competição com os pares e ainda não foram muito estudadas. E é bom lembrar que paralelamente a tudo isso há o desenvolvimento dos círculos de amizade com maior nível de comprometimento e o início dos relacionamentos afetivos.
Dominar e se isolar?
Hibbard e Buhmester analisaram os efeitos desses dois tipos de competitividade no desenvolvimento psicológico e social dos adolescentes: a competição para vencer, ou seja, dominar ou ser melhor que os outros, e a competição para se superar, onde há metas pessoais a serem alcançadas.
Para o estudo os pesquisadores entrevistaram mais de cem adolescentes cursando os últimos anos do ensino médio, assim como seus pais e amigos. Além disso, foram observados fatores como autoestima, sintomas depressivos, solidão, nível de agressividade, qualidade dos relacionamentos interpessoais e desempenho acadêmico.
O que eles observaram foi que as meninas que competiam para vencer tinham maiores níveis de depressão e sentimento de solidão, assim como círculos de amizades menores. Competir para se superar, em compensação, se mostrou ser positivo para a autoestima e para diminuir os níveis de depressão em ambos os sexos.
Os pesquisadores concluem que o sentimento de competição é algo que pode ser ambivalente: de um lado ter objetivos pessoais e procurar superá-los é extremamente positivo; de outro, a competição vista como modo de se destacar em detrimento de outros indivíduos parece ter grande impacto socioemocional, especialmente para as meninas, aumentando o isolamento e os riscos para o desenvolvimento de transtornos depressivos.
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Guaraná reduz fadiga gerada por químio Pesquisa brasileira testou o efeito do extrato da planta em mulheres durante tratamento de câncer de mama

Guaraná reduz fadiga gerada por químio Pesquisa brasileira testou o efeito do extrato da planta em mulheres durante tratamento de câncer de mama

Cansaço afeta de 50% a 90% das pacientes que fazem quimioterapia; remédio natural custa pouco e não é tóxico


CLÁUDIA COLLUCCI

DE SÃO PAULO

O guaraná, planta nativa da Amazônia muito usada na medicina popular como estimulante, pode também tratar a fadiga de mulheres com câncer de mama que passam pela quimioterapia. Esse sintoma afeta de 50% a 90% dessas pacientes.
A conclusão é de um estudo inédito feito por pesquisadores do Hospital Albert Einstein e da Faculdade de Medicina do ABC.
O trabalho foi controlado e envolveu 75 pacientes, divididas em dois grupos: um recebeu 50 mg de extrato seco de guaraná (Paullinia cupana) duas vezes ao dia, e o outro, placebo.
As mulheres foram acompanhadas durante 21 dias. Elas responderam a três questionários que avaliaram seu grau de fadiga.
Ao final, 66% das pacientes do primeiro grupo relataram melhora, contra 13% do grupo controle. No início, o grupo que usou guaraná se queixou mais de insônia, mas o sintoma melhorou nas semanas seguintes.

TRATAMENTO

Segundo Auro del Giglio, oncologista do Einstein e professor da Faculdade de Medicina do ABC, hoje não existe uma terapia padrão para tratar a fadiga em pacientes com câncer.
Recentemente, alguns trabalhos avaliaram o uso de metilfenidato (Ritalina) -remédio usado no tratamento do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade- nesses casos, mas não houve resultados positivos.
"O guaraná é efetivo, barato e não é tóxico", diz o oncologista, que pretende testar o extrato da planta para sintomas de outros tipos de tratamento de câncer.
O estudo foi baseado em dissertação de mestrado que será defendida em agosto, feita por Maira de Oliveira Campos, aluna de Giglio.
O próximo trabalho avaliará pacientes com câncer renal que estejam recebendo inibidores da tirosino-quinase, medicações que sabidamente causam fadiga.
Apesar dos bons efeitos do guaraná, a planta ainda não está sendo usada de forma rotineira no Einstein porque os pesquisadores planejam realizar mais dois estudos que confirmem os resultados positivos do primeiro.

METODOLOGIA

Segundo a nutróloga Roseli Sarni, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), do ponto de vista metodológico, a avaliação da fadiga por meio de questionários é limitada porque não há uma validação do método para a realidade brasileira.
Uma das alternativas, diz ela, seria investigar se houve ganho de força por meio de medidas objetivas, usando, por exemplo, um pedômetro, aparelho que conta os passos e a força da pisada.
Além da fadiga, 50% dos pacientes com câncer também sofrem de depressão. O problema piora a qualidade de vida e o prognóstico da doença -porque a adesão ao tratamento cai. O estudo, porém, excluiu mulheres com quadro depressivo.

MISTURAS

Uma das hipóteses que explicariam o efeito estimulante do guaraná é a presença de 2,5% a 5% de cafeína. As propriedades psicoativas viriam de substâncias (saponinas e taninas) que atuam sobre o sistema nervoso central.
O nutrólogo Edson Credidio, doutor em ciência dos alimentos pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), costuma receitar o guaraná para pacientes com fadiga -provocada ou não por tratamentos oncológicos-, mas faz um alerta sobre a qualidade do produto.
"É comum misturarem pó de madeira ao pó do guaraná. Aí não tem efeito", diz.
Para evitar que o produto cause uma hiperestimulação- e efeitos colaterais como a insônia- ele recomenda aos pacientes que usem apenas 50 mg de guaraná logo após o café da manhã.


Fonte: Folha de São Paulo

O estigma de ser uma dona de casa

O estigma de ser uma dona de casa

International 
Herald Tribune
Katrin Bennhold
Estocolmo (Suécia)
  • Dona de casa na internet Dona de casa na internet
Quando o jornalista sueco Peter Letmark tentou recentemente encontrar uma dona de casa para uma série sobre os pais do século 21 para o jornal “Dagens Nyheter”, ele fracassou.

“As donas de casa”, ele explicou, “são uma espécie quase extinta na Suécia. E as poucas que ainda existem realmente não ousam vir a público com isso”.


Na vizinha Noruega, a Associação das Donas de Casa mudou seu nome para Associação de Mulheres e Família à medida que seu número de membros despencou de 60 mil para 5 mil. “A referência a dona de casa era embaraçosa demais”, disse a economista feminista Charlotte Koren, do Instituto Norueguês de Pesquisa Social, uma ex-associada e mãe de dois.


Quando não é mais socialmente aceitável ser uma dona de casa, teria o feminismo errado seu alvo?

Nos anos 50, esperava-se que as mulheres permanecessem em casa e aquelas que queriam trabalhar eram frequentemente estigmatizadas. Hoje é praticamente o inverso, colocando as mulheres umas contra as outras segundo as divisões de convicção, classe econômica, necessidade e, frequentemente, etnia.

Por todo o mundo desenvolvido, as mulheres que permanecem em casa são cada vez mais vistas como antiquadas e um fardo econômico para a sociedade. Se seus maridos são ricos, elas frequentemente são repreendidas por serem preguiçosas; se são imigrantes, por impedirem as crianças de aprender a língua e os modos de seu país anfitrião.


Suas tarefas diárias de limpar, cozinhar ou criar seus filhos sempre foram ignoradas pela medição da atividade econômica nacional. (Se um homem se casa com sua empregada e para de pagar pelo seu trabalho, o PIB cai. Se uma mulher para de amamentar e compra alimentos prontos para seu bebê, o PIB sobe.) No debate sobre as mulheres alcançando os homens na educação e no mercado de trabalho em termos de crescente produtividade e crescimento econômico, as mães que permanecem em casa são cada vez menos valorizadas. Isso apesar do fato de, da Noruega aos Estados Unidos, os economistas colocarem o valor de seu trabalho não remunerado acima do valor do setor manufatureiro.


Nos países em que as mães ainda lutam para combinar carreira com família e deixam o trabalho menos por convicção e mais por necessidade, elas costumam ser duplamente punidas. Na Alemanha, a maior economia na Europa, a maioria das escolas ainda encerra as aulas antes do almoço, e creches em tempo integral para crianças com menos de 3 anos são escassas. Mas nesta geração de mães jovens, é mais provável encontrar mulheres dizendo que estão em licença maternidade prolongada ou entre empregos do que dizerem que são donas de casa.


Apenas entre os ricos é visto como um status de classe quando a mãe altamente educada leva as crianças para aula de chinês ou de violino.


“É difícil encontrar um equilíbrio entre a não romanceação e não estigmatização da dona de casa”, disse Nancy Folbre, uma professora de economia da Universidade de Massachusetts, em Amherst. “Apesar de muitas mulheres ainda permanecerem em casa, uma mudança cultural as colocou na defensiva.”


Tendo em mente que as mulheres atualmente trabalham tanto porque querem quanto porque a maioria das famílias precisa de duas rendas, ela disse, “é assim que as normas sociais funcionam: elas colocam pressão para as pessoas se adequarem”.


Na Suécia, o fim da dona de casa é impressionante. Os pais cumprem licença paternidade, os jardins de infância são altamente subsidiados e o modelo universal de arrimo de família é profundamente entrincheirado – do local de trabalho à cultura popular.


Antes o mercado chave para anunciantes no horário diurno da televisão, donas de casa felizes promovendo produtos de limpeza agora raramente aparecem nas propagandas de TV.


Elas são um “segmento inexistente”, disse Jonas Andersson, consultor de marca da The Brand Union, uma empresa de design de marca sueca. De vez em quando propagandas internacionais precisam ser dubladas para remover as menções ofensivas a “dona de casa”, ele disse. Andersson e seus colegas se concentram no que ele chama de segmento de “mulher com pouco tempo”.


“De chocolate a carros, você quer ter como alvo as mães que trabalham fora”, ele disse.


Os políticos nórdicos há muito se concentram nas mães que trabalham fora, dando a elas subsídios para asilos de idosos, creches e, mais recentemente, incentivos financeiros para que dividam a licença maternidade com os homens.


No geral, essas políticas aumentaram o crescimento econômico, aumentaram a arrecadação tributária e deram às mulheres que querem trabalhar mais independência financeira, mais benefícios sociais, mais realização pessoal –resumindo, o que muitas chamariam de mais liberdade.


Mas a engenharia social é uma ferramenta cega e alguns temem que a liberdade das mães que trabalham fora ocorreu à custa de transformar em pária uma minoria que deseja fazer as coisas de modo diferente.


Jorun Lindell, uma mãe de três e esposa de um empreendedor sueco, tentou ser dona de casa e não conseguiu fazer com que desse certo. “Ridicularizada”, ela disse, por sua convicção de que seus filhos deveriam ter sua mãe em casa, ela descobriu que não poderia colocá-los em uma creche pública algumas poucas horas por dia ou semana por ser reservada para famílias em que ambos os pais trabalham, estão à procura de trabalho ou estudando.


Ela acabou se matriculando em uma universidade sem qualquer interesse no curso, “desperdiçando recursos para obter algo pelo qual nossos impostos já pagam”, ela disse.


Não há forma fácil de consertar as consequências não intencionais de uma política bem intencionada.


Algumas medidas, como o auxílio que a Suécia e a Noruega pagam para os pais que ficam em casa e que optam por não utilizar o sistema de creches, frequentemente apenas reforçam o estigma associado às donas de casa: preocupações de que essa ajuda, popular entre as famílias operárias e imigrantes, atrapalha a mobilidade social ao manter os filhos dos pobres e estrangeiros de fora das creches socializadoras a transformou em controversa.


Uma forma mais barata e possivelmente mais eficaz poderia ser finalmente reconhecer formalmente a contribuição das donas de casa à economia, disse Hélène Périvier, uma economista do Institut d’Études Politiques, em Paris.


“Não se trata de ser remunerada”, disse Périvier, notando que o valor econômico que as donas de casa criam permanece dentro de seu lar, “mas sim de ser valorizada”.


Se há um momento para a inclusão do trabalho doméstico não remunerado nos números do PIB é agora, ela disse. As mães que trabalham fora também ganham com isso: elas ainda realizam grande parte do trabalho não remunerado em seus lares – mesmo na Suécia.

Colégio premia melhores do Enem com iPhone

Objetivo cria escola só para bons alunos Colégio premia melhores do Enem com iPhone; instituição nega ter criado escola apenas para se sair bem no exame

Grupo diz que escolheu alunos entre os mais estudiosos, que podem assim ter mais chance de se desenvolver


FABIANA REWALD

DE SÃO PAULO

O Objetivo criou uma escola apenas para bons alunos. O Colégio Integrado Objetivo tem o mesmo endereço da tradicional unidade Paulista (avenida Paulista, 900), registrada oficialmente como Centro Interescolar Objetivo Unidade Paulista.
A mensalidade (cerca de R$ 1.600) e a carga horária obrigatória também não mudam. A diferença é que no Colégio Integrado, criado em 2008, só entra aluno com nota alta. Além disso, ele oferece aulas extras para os alunos no período da tarde e os professores são "especiais".
A escola premia com iPhone e notebooks os estudantes que vão melhor no Enem ou em simulados.
O Objetivo afirma que a seleção é feita pela análise dos currículos e nega que tenha criado a escola, que é registrada no Ministério da Educação como uma unidade independente da rede, apenas para melhorar no Enem.

DIVISÕES

Iraíde Marques de Freitas Barreiro, doutora em educação e professora da Unesp de Assis, diz que há tempos os especialistas em educação criticam a divisão de turmas entre bons e maus alunos.
"Um se sente mais importante, o outro se sente menosprezado, e se perde a criatividade do processo de interação entre esses alunos", afirma ela.
A divulgação das médias no Enem por escola, desde 2006, tem grande impacto no mercado da educação. Alguns colégios chegaram a aumentar o valor de suas mensalidades após aparecer no topo do ranking.
O Objetivo diz que, se não fosse uma falha do MEC, a nova escola já teria aparecido em segundo lugar no país.
Isso porque, segundo o grupo, os 42 alunos do terceiro ano do novo colégio tiraram notas altas. Por seus cálculos, a escola teve média 749,67. O primeiro colocado, o Vértice (zona sul de São Paulo), tirou 749,70.
No entanto, o Colégio Integrado ficou sem média e não foi incluído no ranking. Segundo o MEC, o colégio, por ser recém-criado, ainda não tinha um número de registro no momento em que começou a inscrição para o exame.
Com isso, apenas sete estudantes aparecem como participantes do Enem. Os outros 35 foram registrados como egressos (que já concluíram o ensino médio).
Para ter uma média no Enem, é preciso que a escola tenha ao menos dez alunos do 3º ano fazendo a prova.
O Inep (órgão do MEC responsável pelo Enem) confirma que os dados serão retificados, mas não diz quando.
As demais unidades do Objetivo, que não selecionam os alunos, não vão tão bem assim no ranking do Enem. A unidade mais bem colocada no ranking é a Paz, que fica na zona sul de SP e conquistou o 25º lugar entre as particulares da capital.

Filme O Grande Desafio

O Grande Desafio 

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O Grande Desafio (The Great Debaters, EUA, 2007). Direção: Denzel Washington. Roteiro: Robert Eisele e Jeffey Polo. Elenco: Denzel Washington, Forest Whitaker, Denzel Whitaker, Nate Parker, Jurnee Smolett. Drama. 126 min. (Cor).
“Voltando a Viver” (2002), estreia como diretor de cinema do astro Denzel Washington, contou a trajetória do marinheiro Antwone Fishe, interpretado por Derek Luke. “O Grande Desafio”, obra que teve entre seus produtores a apresentadora Oprah Winfrey, e segundo trabalho do ator na direção, também investe na vida real de negros que, de alguma forma, tornaram-se mitos da cultura afro-americana.
Assim como naquele filme, Washington também atua. Mas se na produção de 2002 ele foi coadjuvante, aqui ele protagoniza como o verídico professor Melvin B. Tolson, que liderou uma turma de garotos prodígios da Willey College, instituição de ensino apenas para negros nos EUA.
Incentivados pelo tutor, os jovens Henry Lowe (Nate Parker), Samantha Booke (Jurnee Smollett) e James Farmer Jr. (Denzel Whitaker) formaram uma equipe praticamente imbatível de debatedores (daí o título original, “The Great Debaters”; “os ótimos debatedores” em português) durante os anos 20 e 30 – primeiro, derrotando as principais universidades para negros, e depois conseguindo um confronto histórico com a toda poderosa Harvard, formada por alunos da elite branca.

A competição, que não tem tradição no Brasil, coloca duas equipes de estudantes frente à frente. Elas precisam defender seus pontos de vista sobre temas pré-definidos, usando argumentação para convencer os jurados a lhes dar a vitória no debate.
Apesar do tema remeter a filmes como “Meu Mestre, Minha Vida”, “Escritores da Liberdade” e outros longas sobre professores que ajudam a transformar alunos menos privilegiados, “O Grande Desafio” tem personalidade própria. A obra, que teve entre seus produtores a apresentadora Oprah Winfrey, mostra a trajetória dos protagonistas sem apelar para o melodrama. A trama dispensa, pois já é, por si só, emotiva.

O roteiro poderia ser mais enxuto, é verdade. A subtrama amorosa entre Henry e Samantha, e a cena em que Farmer Jr. imagina-se dançando com Samantha, não fariam falta ao longa. Mas são deslizes perdoáveis para um diretor novato, como Washington, que não esconde o carinho e a admiração pelos personagens, inclusive o seu, que também atua clandestinamente incentivando trabalhadores (negros e brancos) e lutarem por seus direitos.
Com um elenco notável, que inclui dois vencedores do Oscar (Washington e Forest Whitaker), e jovens talentosos, “O Grande Desafio” é um filme digno, admirável e tem grandes momentos de interpretação. Como, por exemplo, a cena em que o personagem de Whitaker atropela um porco e precisa se desculpar com dois homens brancos, que o humilham.

Indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Dramático em 2008, e vencedor, no mesmo ano, do prêmio Stanley Kramer do Sindicato dos Produtores, sai direto em DVD no Brasil e precisa ser descoberto. Nunca é demais aprender pelo exemplo de vida de pessoas que fizeram o bem e romperam barreiras, contando “apenas” com o dom da sabedoria e a fé em suas atitudes.
Um detalhe importante é que ao final, durante os letreiros, ficamos sabendo os destinos dos principais personagens. Quem tem o mínimo conhecimento da história norte-americana irá se surpreender.
PS2: Para aqueles que gostam de filmes de época que abordam histórias de negros que enfrentaram preconceito, uma boa dica é “Honeydripper – Do Blues ao Rock“, com Danny Glover, disponível em DVD.
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Curso de Seleção de Voluntários

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 O Posto Centro realizará 2 cursos de seleção de
voluntários no mês de Agosto/10 e você poderá optar por um deles:

- de 09 a 13/8/10 das 19 às 21h
Colégio Pedro II
Rua Marechal Floriano, 80 - Centro

OU

- dias 14 e 15/8/10 das 08 às 13h
Escola Dó-Ré-Mi
Rua Barão de Mesquita, 159 - Tijuca

Ajude-nos a divulgar o curso. Convide um amigo que também se interesse por
trabalho voluntário.

Abraços fraternos

CVV Posto Centro/RJ

Voluntária Marília

O Guru Acidental Como Augusto Cury se tornou o escritor mais lido do Brasil

O Guru Acidental


Como Augusto Cury se tornou o escritor mais lido do Brasil
 Texto por Ricardo Calil Fotos Claus Lehmann

Como Augusto Cury se tornou o escritor mais lido do Brasil – e, no caminho, foi desafiado para um duelo de vendas por Paulo Coelho e apontado como o guru de Dunga e Marina Silva – sem que ninguém saiba exatamente de onde ele veio e quem ele é.

Augusto Cury
Augusto Cury
Um tipo comum com cerca de 50 anos, moreno de olhos ligeiramente puxados, óculos de aros finos e um pouco acima do peso, vai a uma livraria Fnac de São Paulo. Na hora de pagar um livro, aproveita para perguntar à caixa:


– Como estão as vendas dos livros do Augusto Cury?
– Ah, estão vendendo como água.
– Muito prazer, eu sou o autor.
– Você está brincando!

Ela ri e se vira para uma companheira:
– Ele está dizendo que é o Augusto Cury!

A outra também duvida e desafia:
– Ah, não é verdade. O Augusto Cury mora em outro país. Mostra seu passaporte.

Ele desiste:
– Brincadeira, não sou o Augusto Cury.

Antes que elas vissem a foto na orelha de um livro do escritor, e entendessem que o sujeito falava a verdade, ele já havia desaparecido.
Uns preveem o futuro. Outros falam com os mortos. Durante dez anos, Augusto Cury teve o dom da invisibilidade.

DAS SOMBRAS PARA A LUZ
A Folha de S. Paulo cravou no ano passado que Cury é “o autor de maior sucesso comercial do Brasil nesta década, com mais de 10 milhões de livros vendidos” (11 milhões, pelas contas atualizadas de suas editoras). Ele é publicado em 50 países, ganhou um dos principais prêmios literários da China, existe um Centro de Estudos Augusto Cury em Portugal, e sua obra é objeto de pós-graduação em universidades do Brasil e dos Estados Unidos.

Até pouco tempo atrás, por uma mistura de gosto (do autor) pelo anonimato e preconceito (da imprensa) contra a autoajuda, Cury raramente era reconhecido ou abordado nas ruas, e seu nome só aparecia na imprensa na lista de best-sellers. Nos últimos tempos, porém, Cury foi obrigado a sair das sombras para os holofotes. Depois de ter sido desafiado publicamente por Paulo Coelho para um duelo de vendagens, ele foi apontado – em ano de Copa e de eleição – como o guru de Dunga, técnico da seleção, e de Marina Silva, candidata a presidente pelo Partido Verde. Ao vir a público para negar os boatos, ele se tornou visível – muito visível. Mas ainda absolutamente desconhecido.

ESCOLHAM SUAS ARMAS
Augusto Jorge Cury nunca foi parceiro Raul Seixas e Rita Lee. Nunca tomou drogas, não foi internado em clínicas psiquiátricas nem praticou alquimia. Não tem apartamento na avenida Atlântica nem casa nos Pirineus franceses. Não foi disputado a tapa por Hollywood nem imortalizado pela Academia Brasileira de Letras. Nunca discursou no Fórum Econômico Mundial em Davos nem foi paparicado por Bill Clinton e outros líderes globais.

Arquivo Pessoal
Acima, em dois momentos com a mulher Suleima e as três filhas
Acima, em dois momentos com a mulher Suleima e as três filhas
Ele gosta de “música relaxante”. Formou-se em medicina e psiquiatria em São José do Rio Preto. Vive com a mulher e as três filhas num sítio em Colina, cidade de 17 mil habitantes do interior de São Paulo, onde ele nasceu, conhecida como a Capital Nacional do Cavalo. No tempo livre, dá de mamar a carneirinhos e abraça árvores. Um de seus livros está virando roteiro de cinema nas mãos de Paulo Betti, outro será uma peça de Mauro Mendonça. Perguntado sobre quem seriam as pessoas célebres que admiram sua obra, primeiro se esquiva, depois diz, com um sorriso satisfeito, que pode revelar um nome: “Donna Summer”.


E, ainda assim, Augusto Cury incomoda Paulo Coelho. Depois de uma reportagem da Veja online, em que vários entrevistados do mercado editorial sustentavam que o primeiro autor vendeu mais que o segundo no Brasil nos últimos dez anos, o Mago escreveu para um blogueiro da revista: “Acho bem pouco provável que o Augusto Cury tenha vendido ‘quase’ 10 milhões de livros em dez anos. Mas posso estar enganado. Eu e todo o mercado livreiro, que está rindo dos números fornecidos. (…) Fica aqui um desafio cavalheiresco: eu me proponho a solicitar a meus editores todas as notas fiscais durante estes dez anos. Chegaremos a 9,2 milhões de exemplares vendidos. Ponho minha mão no fogo. Augusto Cury, autor que merece credibilidade até prova ao contrário, fará o mesmo para provar?”.

Em entrevista à Trip em Sorocaba, Cury disse não ao duelo: “Eu nunca estabeleci essa competição. Porque, para mim, a paranoia de ser o número um é sintoma de uma sociedade doente. Essa disputa não contribui com a sociedade, ela não estimula a arte de pensar. Foi uma situação constrangedora, e eu optei pela oração dos sábios: o silêncio”.

Procurado por meio de sua assessoria, Paulo Coelho não se manifestou. E, então, convocamos para arbitrar a polêmica outro best-seller, Lair Ribeiro, autor de O sucesso não ocorre por acaso: “Todo autor, toda editora joga os números um pouco pra cima. Não é só o Augusto Cury, não. Quando eu vendia mais que o Paulo Coelho, nos anos 90, ele dizia que era o autor mais vendido”, afirma.

Com uma aparição no Guinness World Records, por ser o único autor do mundo a ter seis livros entre os dez mais vendidos de um país simultaneamente, entre 1995 e 1996, Lair Ribeiro abandonou a literatura e hoje dá palestras para médicos. “É como no surf. Você tem que saber a hora de entrar e de sair da onda. Eu tive a minha e acabou.” E a onda de Cury, quanto vai durar? “Espero que dure bastante. Mas não há onda que nunca acabe.”

O ATAQUE DAS JANELAS KILLER
Nascido em Colina em 1958, filho de um advogado e de uma dona de casa, Cury conta que teve uma infância modesta. Chegou a dividir um cômodo com os pais e os cinco irmãos. E era o segundo pior aluno da sua turma na escola. Mas, com o incentivo do pai, chegou à faculdade de medicina, onde conheceu a mulher, Suleima, e teve uma crise de depressão. “É a experiência mais dolorosa da psique humana, o último estágio da dor. Só sabe quem tem. Isso tudo me arremessou para dentro de mim e me fez perceber que a dor ou nos constrói ou nos destrói.”

No caso de Cury, construiu. Ele saiu da depressão escrevendo obsessivamente. Foram 3 mil páginas ao longo de 25 anos. Enquanto clinicava como psiquiatra, construía a teoria-base de sua obra: a Inteligência Multifocal, que dá título a seu primeiro livro, em 1998. Na capa, ela é definida como “uma teoria revolucionária sobre o funcionamento da mente, capaz de causar grande impacto na Ciência”.
Grosso modo, a teoria defende que acessamos nossa memória através de janelas que podem ser negativas, traumáticas (as janelas “killer”, expressão mais usada por Cury em nossa conversa); ou positivas, saudáveis (as janelas “light”). O psiquiatra propõe maneiras de controlar as janelas assassinas para que sua abertura repentina não leve a reações violentas. Segundo ele, uma killer pode arruinar a vida de uma pessoa em questão de segundos.
"Não quero competir com Paulo Coelho. a paranóia de ser o número um é sintoma de uma sociedade doente"
Depois da publicação de Inteligência multifocal, Cury achou que deveria “democratizar” sua teoria simplificando seus conceitos em uma série de livros focado em diferentes temas. E aí ele começou a produzir best-sellers em série: Nunca desista de seus sonhos, Pais brilhantes, professores fascinantes, Seja líder de si mesmo, Dez leis para ser feliz, Doze semanas para mudar uma vida. Depois enveredou, com igual sucesso, pela ficção em obras como O vendedor de sonhos e O futuro da humanidade.


Os livros têm título de autoajuda, capa de autoajuda, pegada de autoajuda. Mas, segundo Cury, não são autoajuda. “Não defino meus livros assim porque eles têm na base uma nova teoria sobre o funcionamento da mente. Há uma diferença muito grande em relação aos livros de autoajuda, que não resistem ao calor dos problemas da segunda-feira. Nos meus livros, não há mensagens positivas, motivacionais, e sim críticas contundentes. Eu critico, por exemplo, o sistema educacional, embora considere os professores poetas da vida. Para mim, nossa educação está doente, formando pessoas doentes para uma sociedade doente.”

DUNGA, O POETA DA VIDA
Augusto Cury
Augusto Cury
Cury está decidido a fazer sua parte para curar a sociedade – e não apenas com livros. Se filiou ao Partido Verde ano passado. Suas filhas choraram, pediram que o pai ficasse longe da política, mas ele não voltou atrás. “Eu estou muito preocupado com as atrocidades que nós temos cometido neste belo planeta azul. Um bom ser humano se preocupa com seu povo. Mas um excelente ser humano deveria ter um caso de amor com a espécie humana.”


A filiação de Cury se deu no mesmo dia da de Marina Silva. Logo ele foi apresentado pela imprensa como guru da candidata a presidente. A assessoria da candidata teve que vir a público para negar a associação. “A maneira como a história saiu nos jornais me deixou constrangido. Não é verdade que eu seja guru de Marina. Sou apenas um amigo que torce por ela.” Mas Cury revela que aceitou colaborar no projeto de educação da candidata. E que foi convidado pelo PV para se lançar a senador – e até mesmo sondado, por alguns membros do partido, para uma eventual candidatura a governador de São Paulo. “Disse que não havia possibilidade. Não sou político, sou um semeador de ideias.”

Depois de se esforçar para negar os boatos de que seria guru de Marina, Cury teve que fazer o mesmo em relação à seleção brasileira. Os jogadores foram flagrados com os livros do escritor, dados pelo técnico e pelo auxiliar Jorginho; em um pulo, ele virou o “guru de Dunga”. Cury foi ao Fantástico, em uma de suas poucas aparições na TV, para renegar o rótulo (e, de quebra, classificar Dunga como um “poeta da vida”).

Para a Trip, o escritor conta que deu uma palestra para os jogadores e pediu segredo à CBF, mas a história vazou quando ele foi fotografado na concentração em Curitiba às vésperas para o embarque para a África do Sul. “Eu não sou um profissional de motivação. Fui falar sobre o funcionamento da mente e a formação do eu como líder da psique. E dei algumas ferramentas para que eles possam lidar com os estímulos estressantes, um passe errado, uma provocação de um jogador, uma vaia da torcida. No futebol, céu e inferno estão muito próximos, 5 s podem ser o carrasco de 90 min.”

Como esta edição foi fechada ainda no início da Copa, não é possível determinar se as palavras de Cury foram suficientes para que Felipe Melo controlasse suas janelas killer e não arrancasse a canela de um adversário.
"Cury venceu a barreira da classe 'c'. Seus livros são oferecidos pelas vendedoras da Avon"
AVON CHAMA

O sucesso de Cury é um mistério até para o psiquiatra. “Não tenho exposição na mídia, não faço propaganda. Mas os livros devem contribuir com as pessoas, porque geram uma reação em cadeia. Um fala para dez, dez falam para cem e assim por diante. Não escrevo para fazer sucesso. Escrevo para que as pessoas se tornem viajantes dentro delas mesmas, para que se tornem autoras da sua própria história.”

César González, diretor geral da Planeta no Brasil (editora que publica parte de sua obra), arrisca uma explicação. “Acho que Cury transmite uma teoria muito complexa de uma forma extremamente simples.” O editor revela mais um dado para ajudar a desvendar o mistério. “Ele ultrapassou a faixa dos leitores habituais e chegou à dos não habituais. Venceu a barreira da classe C. Poucos conseguem. Seus livros são comercializados pelas vendedoras da Avon, principalmente no Norte e Nordeste.”
fabiano accorsi/editora abril
Amante da natureza, Cury amamenta um de seus carneirinhos no sítio
 onde mora em Colina.
Amante da natureza, Cury amamenta um de seus carneirinhos no sítio onde mora em Colina.
Mas existe uma outra barreira que Cury ainda não venceu: a da crítica literária. Em uma consulta informal a dez jornalistas sobre o escritor (incluindo três críticos), apenas um soube responder de quem se tratava, e nenhum o havia lido. Adriano Schwartz, professor de literatura da USP e colaborador da Folha de S.Paulo, se dispôs a receber duas obras de Cury: Nunca desista de seus sonhos e O vendedor de sonhos: O chamado.


Ressaltando que só conseguiu ler uma parte de cada livro e que não gostaria de fazer um julgamento definitivo, Schwartz analisa: “O livro de ficção [O vendedor] parece autoajuda, e o de autoajuda é uma ficção, já que anuncia uma sabedoria que não se concretiza, promete uma vida melhor sem meios para alcançá-la. No geral, ele é menos místico que Paulo Coelho, mas ainda mais constrangedor, pela quantidade de clichês por página. A linguagem tem um rebuscamento antiquado, com palavras desgastadas que talvez soem como grande literatura para quem lê pouco. Entre os milhares de livros ruins que são lançados todos os anos, é difícil entender por que justamente esses fazem sucesso”.

MANTRAS CIENTIFICISTAS
Salão do Lar Escola Monteiro Lobato, Sorocaba, 27 de maio. Quase mil pessoas se reúnem para uma conferência de Augusto Cury, pagando R$ 65 de ingresso. Mais de uma centena compra livros na entrada para pedir autógrafo do autor. Cury conta que é convidado para cerca de cem palestras por mês, mas só diz sim para três ou quatro. Não revela quanto ganha por elas nem por seus livros. Mas diz que investe seus ganhos em um projeto de reflorestamento em Minas Gerais.

“Com muita humildade, quero me curvar diante de plateia tão inteligente”, ele começa, antes de literalmente se curvar. Cury alterna perguntas simples (“quem de vocês se sente complicado às vezes?”, “quem aí já foi traído?”) e expressões difíceis (“Registro Automático da Memória”, “Síndrome do Pensamento Acelerado”) – que ele pede para a plateia repetir e que soam como estranhos mantras cientificistas.

Cury diz que não segue nenhuma religião e conta que já foi “um dos maiores ateus que já pisaram nesta terra”. “Fui mais ateu do que Nietzsche, que escreveu sobre a morte de Deus. Talvez mais do que Marx, que disse que Deus era o ópio da mente humana. Mais do que Sartre e Freud, que consideram a busca por Deus como a busca de um pai protetor. E como Diderot, que no afã do ateísmo queria eliminar todos os religiosos. Claro, eu não era tão agressivo, mas tinha uma posição contundente.”
"Já fui um dos maiores ateus que pisaram na terra. Mas hoje me considero um cristão sem fronteiras"
Ele mudou de ideia ao pesquisar a vida de Jesus Cristo, especialmente sua reação à traição de Judas. “Nunca na história uma pessoa traída tratou com tanta dignidade um traidor, indicando que ele foi o maior educador da história. Infelizmente, Judas entrou em uma sequência de janelas killers e atentou contra a própria vida. Ao estudar a inteligência do Cristo, romperam-se as armaduras do meu orgulho. A partir daí, eu me tornei alguém que crê em Deus, um cristão sem fronteiras”.
NEPOTISMO

No dia seguinte a Sorocaba, Cury nos recebe na sede da editora Planeta em São Paulo para as fotos. Faz questão de autografar um livro para o fotógrafo (dedica ao “poeta da imagem”), um para este repórter (“uma mente brilhante”), outro para minha mulher e filhas (“vocês formam uma linda família”) e o último para minha mãe (“você é encantadora”). Conto que meu sobrenome do meio é Cury e que, com certa frequência, me perguntam se sou seu parente – em geral, quando falo meu RG para gerentes de lojas, caixas de supermercados ou atendentes de telemarketing. Mas, não, ele não é meu tio rico. Cury é sobrenome árabe comum, um “Souza” dos libaneses. Apropriadamente ou não, quer dizer “padre” (ou cura).

O escritor confessa que imaginava que a rara entrevista que me concedeu era, na verdade, para a revista de bordo da Trip Linhas Aéreas. Antes de se despedir, ele recomenda: “Escreva um livro. Eu posso te ajudar com uns contatos. Esse mercado não é fácil. Nunca desista de seus sonhos”.
Fonte: Revista Trip

A outra face de Mike Tyson

A outra face de Mike Tyson

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Por Redação Yahoo! Brasil 


Aquele Mike Tyson intimidador e impulsivo parece ter finalmente encontrado o seu caminho, mas ainda assim continua sem papas na língua. Em entrevista para a edição de agosto da revista americana "Details", Tyson mostrou uma outra faceta, longe da que o público conhece.
"Hoje eu estou com 44 anos e percebo que a minha vida inteira foi um desperdício. 'Maior homem do mundo'? Eu não era metade do homem que pensava ser. (...) Eu acho que sou um porco. Eu tenho esta habilidade formidável de olhar para mim mesmo no espelho e dizer: 'Isto é um porco. Você é um pedaço de merda'", contou o ex-pugilista ao lembrar da primeira fase da sua vida.
Mike Tyson é um vegetariano convicto há oito meses, e tenta também viver sem colocar um pedaço de doce na boca. Tudo isso para ter "energia", mas "nada como aquela merda tipo Zen", especificou.
Como não poderia faltar, ele falou do famoso embate com Evander Holyfield. Esse mesmo que você pensou, em que Tyson mordeu a orelha do rival. "Eu não importava mais com boxe. Eu estava errado em fazer aquilo - totalmente errado. (...) Com 16 meses fora da prisão, e já com dois cinturões para defender? Eu não tinha nada com aqueles cinturões. Eu já estava acabado. (...) Eu não estava pensando (quando mordeu Holyfield). Eu não estava treinando para aquele combate. Eu estava enfiado nas drogas, pensando que era Deus", revelou.
Mesmo sendo um homem livre há tempos, o ex-pugilista conta que nunca se sentiu assim. "Este é o momento em que me sinto mais livre na minha vida. E eu ainda não estou livre. Mas é um sentimento sensacional. Eu não tenho dinheiro. Eu não sou mais um cara com glamour. Eu tenho amigos que têm dinheiro, então parece que eu tenho dinheiro, mas não tenho."
O ex-pugilista já esteve por muito tempo no topo dos pesos-pesados do boxe internacional. Impiedoso, o atleta mandou para a lona inúmeros adversários com seus potentes diretos e cruzados, mas sua vida pessoal o derrubou das alturas mais rápido do que qualquer rival.
Várias vezes preso por agressão e envolvimento com drogas, o ex-astro dos ringues viu a fortuna construída ao longo de anos no esporte escorrer por entre seus dedos graças a uma série de decisões erradas que fez em sua carreira. O fundo do poço chegou quando o lutador perdeu a filha de quatro anos em um acidente doméstico. Mas agora Mike Tyson está diferente.
Atualmente ele está de volta ao bairro de Brownsville, no Brooklyn, lugar em que cresceu, para se dedicar ao seu reality show com pombos. Desde pequeno o americano é um amante dos pássaros.

Crédito: Details

Por ganho extra, donas de casa viram strippers virtuais

Por ganho extra, donas de casa viram strippers virtuais

Escondida do marido, paulista ganha R$ 5 mil com show erótico no MSN.
Sem mostrarem rosto, elas contam ao G1 trabalhos com webcam e laptop.

Kleber Tomaz Do G1 SP

Agora, enquanto esta reportagem é lida, algumas donas de casa devem estar na internet, mantendo, às escondidas, conversas picantes em salas de bate papo com outros homens, se exibindo pela webcam, alimentando o voyeurismo nelas ou em seus paqueras virtuais. A diferença entre estas mulheres e as que vão aparecer a seguir contando suas escapulidas ao G1 está no fato de as últimas terem aliado o prazer aos negócios e cobrarem para ficarem nuas na frente das câmeras.
Para ganhar dinheiro e não depender financeiramente dos maridos, mulheres casadas estão se tornando strippers virtuais, tirando a roupa no MSN. Para assistir a dez minutos de show erótico, por exemplo, o cliente precisa depositar até R$ 25 na conta bancária da dona de casa. Depois disso, basta ligar o computador, acessar a internet, adicionar o endereço eletrônico da “artista” e interagir ao vivo pelo microfone e teclado.
Mas nem tudo que eles pedem é aceito por essas mulheres. Mostrar o rosto ou revelar o nome está fora de cogitação para elas. Anonimato é o segredo do negócio para a dona de casa paulista de 42 anos que há quatro adotou o apelido de ‘Bruna Sexy’. Católica, com diploma universitário, casada, com um filho de 17 anos, ela contou ao G1, pelo MSN e por telefone, que os dois não sabem o que ela faz enquanto estão fora trabalhando e estudando.
“Não vejo necessidade de dizer ao meu marido e ao meu filho que faço shows eróticos na internet. Acho que eles não iriam gostar”, escreveu ‘Bruna Sexy’ enquanto teclava sozinha, na comodidade de seu lar, na Zona Sul de São Paulo. “Não acho que o que faço seja traição. É uma fantasia sexual de alguém querer ver uma mulher casada nua, como um filme erótico ou uma Playboy. Quem fica pelada está traindo? Quem lê a revista trai? Não, né?!”
Como ‘Bruna Sexy’, ela relata que alcança uma renda mensal de até R$ 5 mil, sem sair de casa ou manter relações sexuais, apenas com a comercialização dos vídeos e artigos com sua marca. “Também vendo as calcinhas que uso nas apresentações. Elas vão com o meu cheirinho”, contou ela, que trabalha das 8h às 17h, de segunda a sexta.
Ex-vendedora de artesanato, ‘Bruna Sexy’ mergulhou de cabeça no mundo das strippers virtuais após se ver endividada e sem um tostão para custear o tratamento do pai. “Depois de cuidar do meu pai, vi que precisava ganhar dinheiro. Sempre gostei de sites de relacionamentos, de sexo e de me exibir na web, me insinuando, brincando. Então pensei por que não começar a cobrar por algo que eu gostava de fazer de graça?”, escreveu. "Quando comecei a cobrar, descobri que os homens adoram meu bumbum. É a primeira coisa que pedem para ver."
Quem quiser ver mais da loira, de 1,60 metro e 50 kg, mantidos a custo de muita malhação, pode acessar o site e o blog que ela criou para administrar seu serviço, agendar e divulgar seus shows em sites de sexo ou pelo Orkut. Morando em Moema, um dos bairros nobres da capital paulista, ‘Bruna Sexy’ informa que tem uma vida confortável agora.
Indagada até quando pretende continuar a trabalhar como stripper virtual, ela respondeu: “Até ficar velhinhaaaa. Tem clientes para todas as idades".
Dona de casa stripper - msnDona de casa que trabalha como stripper virtual conversa com G1 pelo MSN (Foto: Reprodução/Divulgação)
 
Colegial e chapeuzinho vermelho
Geralmente, quem paga pelos serviços das strippers virtuais são homens casados, na faixa dos 30 anos, que têm fetiche pelas fantasias (colegial e chapeuzinho vermelho são as mais pedidas) e brinquedos (vibradores, chicotes etc) que elas usam para diverti-los na web. Eles também não resistem à tentação de se mostrar nas câmeras para essas donas de casa. O que para as profissionais é uma garantia de conferir se a outra pessoa é mesmo adulta e não um garoto babão.
Para se tornar 'Lili Webgata' e também tirar a roupa por dinheiro no MSN, a morena de 30 anos, de família evangélica, segundo grau completo, com 1,70m e cintura “pilão” foi obrigada a pôr fim ao casamento de oito anos. Há três anos, ela realiza a fantasia sexual dos ávidos internautas também de sua casa, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, sempre das 23h até as 2h.
“Já entrava em sites de relacionamentos escondida do meu marido na época. Eu só não contava nada para ele. Já me exibi tanto de graça. Sim! Eu fazia isso. Por quê não fazer sendo paga? E tem o lado mulher, né? Queria ver até que ponto conseguia ir, se realmente os homens e mulheres pagariam para me ver. Achava que aquilo era loucura e não ia dar em nada, mas porque não experimentar?”, contou ‘Lili Webgata’ ao G1.
Ela diz que acumulou "muito dinheiro" desde que começou os shows eróticos. “Me tornei empresária e comprei uma loja de roupas”, disse ‘Lili Webgata’, que chegou a fazer shows mais picantes, com hora marcada, ao lado de um namorado “desencanado” que teve. “Um cliente muito especial topou e convidei essa pessoa que estava namorando comigo naquele momento.”
Apesar disso, a mascarada ‘Lili Webgata’ falou que prefere ficar solteira atualmente. “É difícil namorar ou ser casada e esconder de alguém que você faz shows assim. Apesar de não ter envolvimento físico, sempre rola um envolvimento virtual, um namoro sem contato, uma paquera.”
Para ter ‘Lili Webgata’ por 30 minutos na webcam, o cliente precisa desembolsar R$ 70. Adepta de clubes de swingers e musculação, ela conta que nunca aceitou fazer programas. “Não me sentiria bem”, disse.
Ela prefere continuar no imaginário de seus fãs. “Eles me elogiam, sonham comigo. Vou fazer shows enquanto estiver me divertindo. Ultimamente é mais por diversão”, afirmou a stripper virtual, que agora está dando lugar à empresária. “Apesar disso, invisto em tecnologia para tirar a roupa. Recentemente comprei uma webcam em 3D para me verem em três dimensões.”
Questionada se aceitaria um namorado ou marido ganhar dinheiro tirando a roupa como ela faz pelo MSN, ‘Lili Webgata’ respondeu: “Aí você me pegou”.
Durante a semana, o G1 também localizou outra mulher casada que aproveita a ausência do marido para se tornar stripper virtual, mas ela se recusou a dar entrevista ou ceder suas imagens por medo de ser descoberta.

Fonte: Globo São Paulo

Os incríveis salários do Senado

Os incríveis salários do Senado

Tenho alertado aqui, por várias vezes, sobre os perigos do corporativismo, com fortes conexões no Congresso, no Judiciário, no Executivo, contando com amplo sindical. É uma conta que será cada vez mais difícil de ser pagar e prejudica investimentos em educação e saúde. Veja, agora, os números dos salários no Senado, com os mais recentes reajustes.
O salário para um técnico de informática (ensino médio) subiu para R$ 16 mil mensais. Um auxiliar de segurança (ensino fundamental) foi para R$ 13,7 mil. Um analista para a área de comunicação social, R$18 mil.
Só este ano, o aumento dos gastos do Senado será de quase R$ 220 milhões. No próximo ano, R$ 500 milhões. Isso daria para aumentar em dezenas de milhares os beneficiários da Bolsa Família. 


Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha.com às segundas-feiras.

Fonte: Folha de São Paulo

Felicidade pode trazer mais saúde para os jovens, indica pesquisa



Felicidade pode trazer mais saúde para os jovens, indica pesquisa

Jovens mais felizes são também os mais saudáveis, segundo estudo da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, que indica que adolescentes que apresentam mais emoções positivas, bom humor e satisfação com a vida parecem ter melhor saúde física. Avaliando a relação entre saúde mental e saúde física entre 400 estudantes da 6ª à 8ª série nos EUA, os pesquisadores notaram que a satisfação com a vida e sentimentos de animação, força e orgulho positivo estavam associados a uma melhor saúde física.

Os resultados mostraram que os indicadores de saúde mental poderiam explicar 30% da diferença nos relatos de saúde física, e quatro em cinco indicadores seriam preditores únicos de saúde física, com o “afeto positivo” tendo os melhores efeitos nesse sentido. Por outro lado, os participantes que relataram se sentirem solitários, culpados, ansiosos ou deprimidos, e aqueles que apresentavam comportamentos indesejáveis reportavam pior saúde física.

Baseados nos resultados, os pesquisadores defendem que os indicadores positivos e os negativos de saúde mental precisam ser considerados na avaliação da saúde dos jovens. “Os resultados do estudo atual ressaltam a importância de atentar para o bem estar focado nos indicadores de saúde mental entre os jovens”, explicaram os especialistas. “O bem estar subjetivo é um preditor significativo, único e primário de resultados importantes da saúde física entre os jovens, e é mais fortemente associado com a função física do que a psicopatologia”, concluíram.

Fonte: Boa Saúde

Haiti diz que recebeu menos de 2% da ajuda internacional prometida

Haiti diz que recebeu menos de 2% da ajuda internacional prometida


Nas Nações Unidas 


A enviada especial do Haiti na ONU, Leslie Voltaire, disse hoje que o país recebeu menos de 2% dos cerca de US$ 10 bilhões que a comunidade internacional se comprometeu a investir na reconstrução do país após o terremoto de 12 de janeiro.

Durante uma reunião do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), Leslie afirmou que, seis meses depois do terremoto, as tarefas de reconstrução ainda não puderam começar.

"Ainda não saímos da fase de recuperação", lamentou a representante haitiana no encontro, dedicado à ajuda e ao desenvolvimento no país.


Segundo Leslie, "muitos resultados positivos" foram obtidos no último semestre, mas ainda não há soluções para as 1,5 milhão de pessoas que estão sem casa e vivem em tendas de campanha.


Uma das dificuldades é a falta de capacidade das entidades haitianas para absorver a ajuda recebida pelo país, o que espera que se resolva com a Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti (CIRH), copresidida pelo enviado da ONU para o Haiti, Bill Clinton.


"O povo está cansado da situação", disse a representante haitiana, reconhecendo que os problemas de comunicação dentro do Governo do país dificultaram a coordenação da ajuda.


De acordo com Leslie, engenheiros avaliaram o estado de 150 mil imóveis, mas seus proprietários não podem voltar aos considerados como estruturalmente seguros porque não se sabe se há perigo de deslizamento de terra em diversas áreas.


Além disso, explicou que a população também reclama de que não participa da preparação dos planos de reconstrução, mas ao mesmo tempo as autoridades são reticentes a anunciar compromissos que não têm certeza de que poderão cumprir.


A prioridade do Governo ao longo dos próximos seis meses é a reconstrução de estradas, escolas e hospitais.


O coordenador de Assuntos Humanitários da ONU no Haiti, Nigel Fisher, reconheceu em seu discurso que o país se encontra em uma situação de transição delicada após a catástrofe.


Houve avanços no fornecimento de refúgios de emergência, assim como na reabertura de portos, aeroportos e escolas.


Ao mesmo tempo, acrescentou Fisher, se agravou a carência de acesso a serviços básicos e empregos que ocorria antes do terremoto e que são os dois assuntos que mais importam aos desabrigados.


Em 31 de março, a comunidade internacional se comprometeu em uma conferência de doadores a fornecer US$ 9,9 bilhões para a reconstrução do Haiti. Mais da metade desse valor deveria ser entregue nos próximos três anos.


Seis meses depois do terremoto, as organizações humanitárias asseguram que as condições de vida no Haiti continuam péssimas.


A catástrofe deixou 230 mil mortos, 300 mil feridos e destruiu 60% da infraestrutura do Governo. Além disso, quase 200 mil casas ficaram inabitáveis.


O valor total das perdas chega a US$ 7,8 bilhões, mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) do Haiti em 2009.

Mutilação genital feminina preocupa autoridades de saúde


Apesar das campanhas do sistema de saúde e das críticas internacionais, a mutilação genital feminina segue praticada em várias nações. O procedimento é originário das culturas da África e do Oriente Médio e chegou ao Ocidente através da imigração. Para muitos que nascem sob este costume, a prática controla a sexualidade da mulher e a torna apta ao casamento.Visite o UOL Notícias

Eu acredito em educação

Eu acredito em educação
 
Esqueça tudo o que você conhece sobre Anderson Silva, o popular Aranha, 4 vezes campeão mundial de vale-tudo, ídolo do Ultimate Fighintg Championship (UFC) e de milhões de fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta.

Por André Rezende fotos Rafael Cusato

 
Esqueça tudo o que você conhece sobre Anderson Silva, o popular Aranha, 4 vezes campeão mundial de vale-tudo, ídolo do Ultimate Fighintg Championship (UFC) e de milhões de fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta. Encontramos Anderson em São Paulo em busca não do demolidor, que vemos no octogon (ringue de oito cantos) derrotando os adversários. Nosso objetivo era saber quem de fato é e o que pensa esse fenômeno de popularidade, principalmente no Japão e nos Estados Unidos, além do universo das artes marciais. O resultado desse bate-papo foi uma grata surpresa...
Sua trajetória profissional já é bastante conhecida. E pessoalmente, quem é Anderson Silva?
Nasci em São Paulo, em 1975, e fui morar em Curitiba com meus tios aos quatro anos de idade. Era uma criança muito agitada, hiperativa. Era complicado (risos). Não parava quieto um segundo, minha tia me observava o tempo todo. Ficava fazendo alguma arte fora do normal o tempo inteiro, como tentando ligar o carro do meu tio na garagem, jogava bola e quebrava vidraças, essas coisas. Eu era o terror dos vizinhos!

Foi uma criança brigona?

Não! Até porque lá em casa era meio complicado ser muito indisciplinado ou uma criança mal-educada. Mas eu fazia arte como todas as outras.
Por que você diz que era complicado?
Então, fui criado pelos meus tios em Curitiba. E lá eram todos militares, meus tios e meus irmãos de criação, um regime muito forte, disciplina total. Para você ter uma ideia, mesmo quando não havia aula, tínhamos que estar de pé antes do meu tio, que acordava seis ou sete da manhã. Mas longe dele eu dava as minhas aprontadas, claro, tudo dentro dos limites.
Estudou até que série?
Até o segundo grau, depois precisei trabalhar e abandonei os estudos. O pessoal lá de casa ficou maluco com isso. Minha tia odiou, mas acabei largando para tentar o esporte.

Imagino a situação: uma casa de militares, disciplina rígida e uma importância enorme aos estudos, e você decide virar lutador...
É, foi muito difícil chegar até aqui. Eu treinava escondido da minha tia, que não aceitava o fato. Ela dizia: “Poxa, eu não quero que você treine esse negócio, você tem que estudar e seguir a carreira militar como todos em casa”. Foi muita ralação mesmo. Limpei muita academia e treinava, treinava, até que as coisas foram acontecendo muito rápido. Tive muitas oportunidades e pessoas que me ajudaram na carreira.
Falando nela, você tem uma fama internacional difícil de dimensionar, uma legião de fãs no mundo inteiro, outdoor imenso na famosa Times Square, nos Estados Unidos, enfim, um reconhecimento que no Brasil pouco existe. Como você lida com isso?
Era complicado, sabe! Anos atrás, até ficava chateado por não ter o meu trabalho reconhecido no meu próprio país, mas as coisas estão caminhando de uma forma bacana nesse sentido. Hoje sou reconhecido, as pessoas perguntam sobre o meu dia a dia e se interessam pelo esporte. Sinto-me um brasileiro feliz por servir de referência para muitas crianças e jovens do Brasil.
O próprio UFC está se popularizando por aqui, né?
O esporte é muito novo, Mas temos grandes campeões, aqui e lá fora. Hoje, o UFC tem uma audiência enorme, que está batendo o SuperBoll, que é o top dos esportes na América. No Brasil, as coisas também estão mudando pra melhor.
Falam que você brinca durante a luta e até desrespeita os adversários.
Eu não cheguei aonde estou, com quatro títulos mundiais em organizações diferentes, desrespeitando os meus adversários. Procuro fazer a minha luta, me apresentar bem e trazer a vitória. E não apenas para a minha equipe, mas também para a minha família e o meu país.
Percebo que o sentimento de patriotismo é muito forte em você.
Ah, eu sou brasileiro e não nego.
Levo o meu país sempre no coração, o tempo todo. Eu cheguei até aqui com a ajuda de tantas pessoas, tantos professores que prefiro falar sempre em nós, não apenas em mim, na minha vitória, na minha conquista. Os títulos que eu ganho não são apenas meus. São títulos brasileiros e de todas as pessoas que me ajudaram a chegar até aqui.
E a consciência negra de Anderson Silva, é ativa?
Então, como um negro e brasileiro que sou, tenho que representar sempre muito bem, não só o meu país, mas a minha origem e a minha raça. Isso está incutido em mim, em toda a minha família e acredito que em todos os negros. É uma referência que temos, a nossa história, a nossa trajetória como cidadão. Eu não me considero um militante, mas procuro fazer jus a todos os direitos que temos, não só de nós negros, mas de todos os brasileiros.
Preconceito racial, já sofreu com isso?
Sofri várias vezes. Numa ocasião, quando trabalhava no McDonalds, era um domingo e o balcão estava muito cheio. Chegou um senhor, parou na minha frente e perguntou se não tinha ninguém para atende-lo. Eu disse que estava ali para isso e ele respondeu que não gostaria de ser atendido por um negro.

E aí?
Bom, pedi a ele que me desse um minuto e chamei o gerente, que disse a este senhor que, se ele não fosse atendido por mim, não seria atendido por mais ninguém ali. Ele acabou sendo um pouco grosso e saiu da loja.
Como jovem, o que passou em sua cabeça na ocasião?
Fiquei um pouco chateado, lógico, mas em casa a gente foi muito bem-educado em relação a isso. Meus tios sempre foram incisivos nesse lance do racismo e nos orientaram a nos portar de igual para igual.
Lá fora, esse tratamento é diferente?
Existe o racismo em todo o lugar, claro que nos Estados Unidos é muito mais explícito, as pessoas demonstram isso nas atitudes e no dia a dia. E não é só com o negro, é com o japonês, o árabe, com todas as raças. Parece que racismo é uma coisa voltada apenas para o negro, mas não é! Está em todas as etnias.

Você é a favor das cotas?

É bem complicado. Acho que nós negros temos condições de competir com qualquer outra pessoa. As cotas dão a impressão de que nós não temos condições de batalhar por um objetivo. Eu não sou muito a favor, não!
Acredita em política no Brasil?
Eu acredito em educação! Temos que correr atrás dos nossos direitos. Acontece é que as pessoas não estão tendo conhecimento de causa. Fica difícil correr atrás disso sem educação, sem o alimento necessário. Se você não come direito, você não pensa direito. Se você não pensa direito, não raciocina direito e não vai exercer as suas opiniões e seus direitos de forma adequada.
“Eu acredito em educação”. Gostei disso!
Tenho uma ótima referência em relação a isso, graças aos meus tios e aos meus irmãos de criação. Procuro manter a tradição de educação da minha família: senhor, senhora, hora para chegar, o que é isso que você trouxe pra casa, onde você está, de quem é isso... E está dando certo, tenho cinco filhos maravilhosos, super educados e espero que eles continuem assim. Desde garoto, minha tia já ensinava a gente a não entrar calçado na casa de ninguém, cumprimentar as pessoas, principalmente os mais velhos, pedir a benção, e até hoje é assim. Meus filhos continuam da mesma forma que eu. Todo mundo tem horário na minha casa, seja para comer, para ficar juntos, para rezar...

"ESTAMOS MUDANDO UM POUCO ESSA HISTÓRIA DE REFERÊNCIA NEGATIVA, OU SEJA, QUE AS CRIANÇAS DO MORRO, QUE VIVEM EM CONDIÇÕES DIFÍCEIS, TENHAM O TRAFICANTE, O BANDIDO COMO O SEU HERÓI. ESTAMOS CONSEGUINDO ALGO ASSIM: ‘PUXA, PROFESSOR, QUANDO EU CRESCER, QUERO SER IGUAL A VOCÊ!’. ISSO É BACANA DEMAIS!"

E qual o segredo para educar um filho em tempos tão difíceis, culturalmente falando?
É complicado, procuro sempre estar em cima dos meus filhos, investir no esporte e passar para eles que o grande barato da vida é ter o conhecimento de causa, saber o que é o certo e o errado, e as consequências que tudo tem. O grande lance é você estar unido, a família tem que estar em sintonia, deixando os filhos falarem o que têm vontade. É você ser o amigo e não, o carrasco.
Você é um espelho para crianças e jovens. Tem consciência disso?
Sou um formador de opinião e procuro sempre manter uma linha de ensinamento para que todos tenham da gente uma boa referência. Não sou muito de sair pra balada, meu divertimento é quando estou com os meus filhos, com a minha família. Quando não estou treinando, estou com eles jogando videogame ou um futebol com os meus amigos. Não uso drogas e nunca bebi, é o meu jeito. Cigarro, eu nunca coloquei na boca. É questão de educação e também de opção. Meus heróis foram os meus irmãos mais velhos e hoje eu sou o herói dos meus filhos.
Dos seus filhos e de milhões de crianças mundo afora...
Tenho um trabalho social bem legal no Rio de Janeiro com o meu amigo Minotauro (Rodrigo Nogueira, também lutador). Com este trabalho estamos mudando um pouco essa história de referência negativa, ou seja, que as crianças do morro, que vivem em condições difíceis, tenham o traficante, o bandido como o seu herói. Estamos conseguindo algo assim: “Puxa, professor, quando eu crescer, quero ser igual a você!”. Isso é bacana demais! A gente tenta fazer a nossa parte como cidadão brasileiro, né?

Também acho! Mas pegando carona no seu sucesso e dos demais lutadores brasileiros, deve existir um monte de picaretas por aí que se intitulam professor de artes marciais...

Tem muito picareta, sim. Digo o seguinte: quando você coloca seu filho na academia, tem que saber onde está colocando. É como política. Você não pode votar em alguém sem conhecer o trabalho dessa pessoa. Academia é a mesma coisa, tem que saber se seu filho está aprendendo a luta em si ou a filosofia das artes marciais, que é muito diferente, vai além do que dar chutes e socos.
Culturalmente, o que você consegue absorver em suas viagens pelo mundo?
A gente absorve um pouco de cada lugar, a língua, o respeito pela cultura de outros povos. Com isso, trazemos sempre alguma coisa para o nosso dia a dia. Pego parte disso para educar os meus filhos também.

Fonte: Revista Raça Brasil