No Dia Nacional do Livro, a Biblioteca Nacional abre exposição para comemorar 200 anos


No Dia Nacional do Livro, a Biblioteca Nacional abre exposição para comemorar 200 anos

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhl1JqIIxduT5aV-Me-DkNM7JkUwRMEHUti_s0EIi5Dh4NYivKoEdwYIhsKOeuWAGVyN9Fr6mHxT_FmoIi6iun2sfiO8tprQV9wF6lV49t91JGEH3-ALxR4RHxUmz_wUC5gWifYwBFmKs8/s1600/800px-Biblioteca_Nacional_do_Brasil.jpg

 O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, abriram nesta sexta-feira (29) à tarde, no Rio, exposição comemorativa do bicentenário da instituição, com 200 das mais importantes obras do acervo.
A Biblioteca Nacional do Brasil é uma das dez maiores do mundo. O acervo, com cerca de 9 milhões de obras, tem origem na coleção de dom João VI. A instituição é referência em projetos de restauração e digitalização na América Latina.
Em comemoração à data e ao Dia Nacional do Livro, a Ação da Cidadania lança nesta sexta-feira (29) a 18ª edição da Campanha Natal sem Fome dos Sonhos. Será iniciada em diversos estados a coleta de brinquedos e livros infanto-juvenis para distribuição em comunidades pobres no fim do ano.
No Rio, o lançamento foi às 10h, na Praça Floriano, na Cinelândia, em frente às escadarias da Câmara Municipal, onde foi montado um palco para apresentações de musicais, narração de histórias e um sarau de poesia, com atores, poetas e crianças da comunidade da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana.
Os direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são o tema desta edição.

Apresentação do Romance "Retorno ao Pó"

Palestra-R9

Deputado profissional Ao contrário do mito, parlamentares entram no congresso com experiência


Deputado profissional 
 
Ao contrário do mito, parlamentares entram no congresso com experiência 
 
© Alfredo Nagib Filho/Folha Imagem
Congresso Nacional, em Brasília
Na grande imprensa costuma-se afirmar que o Parlamento brasileiro é prejudicado pela presença de forasteiros, gente com pouca ou nenhuma experiên­cia na política: cantores, pastores, atores, apresentadores de TV, jogadores de futebol, capazes de ganhar votos para depois “desaparecer”. Ainda segundo esse consenso, há outros tantos políticos novatos que são eleitos e depois usam a cadeira do Legislativo como trampolim, pois preferem cargos em municípios e estados, e logo que podem deixam a Casa quando surge uma oportunidade. Ao cruzar, porém, dados referentes à circulação na Câmara dos Deputados entre 1946 e 2007, a cientista política Mayla Di Martino encontrou resultados bastante diferentes: no Brasil predomina o político profissional, e o que parece um entra e sai é, ao contrário, parte de uma estratégia de longo prazo para justamente se manter na carreira, como ela analisa em A política como profissão, sua tese de doutorado em ciência política defendida recentemente na Universidade de São Paulo orientada por Fernando Limongi.
“Para ocupar uma cadeira no Legislativo nacional é preciso ter entrado no jogo da política e ter tido algum sucesso nele. É preciso se tornar um profissional, ter vencido eleições ou ter assumido cargos políticos indicados”, afirma a pesquisadora. Nos últimos 15 anos, segundo ela, os chamados novatos que entraram na Câmara dos Deputados venceram, em média, anteriormente pelo menos duas eleições para outros cargos políticos e 80% deles tiveram algum tipo de experiência política prévia. 
À primeira vista, no entanto, há dados que parecem sugerir que o senso comum está certo. Como explicar por que apenas a metade dos deputados, em média, se reelege? A comparação com os Estados Unidos aumenta o contraste: lá são reeleitos 90% dos deputados. No Brasil, também é elevado o número de deputados que interrompem o mandato antes de sua conclusão. A maioria se licencia para ocupar uma vaga de ministro de Estado ou de secretário em governos estaduais. Há um percentual que abandona os dois últimos anos da legislatura: em média, desde 1986, 17% de todos os deputados que chegaram ao Parlamento disputaram uma eleição para prefeito enquanto estavam na cadeira de deputado. Para um parlamentar americano, é impensável trocar uma cadeira em Washington por uma de prefeito.
A aparente “desistência” do deputado brasileiro, no entanto, tem explicação de longo prazo, diz Mayla Di Martino, exigências da complexa vida política brasileira. “O sentido da carreira política no Brasil não é ilógico, não está situado de ponta cabeça, como fazem crer alguns estudiosos. Se o deputado abandona a cadeira em Brasília, é porque os caminhos que ele tem de trilhar para continuar crescendo na vida pública são tortuosos. Muitas vezes é preciso voltar para uma função regional como meio para prosseguir na carreira política nacional. Isso tem a ver com a estrutura do recrutamento político para o Parlamento, que, desde sempre, foi muito regionalizado, ou seja, muito dependente dos interesses e das eleições locais”, explica.
Quanto à presença de forasteiros, esta pode até ser alardeada e muito notada, mas não é o padrão. Há, é claro, lugar para os fenômenos midiáticos, como apresentador de TV, locutor de rádio, cantor e até jogador de futebol, porém eles são minoria, concorda David Fleischer, Ph.D. em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB). O comum é o perfil de deputados que representam um reduto, uma microrregião, diz. “É o caso de um prefeito que vira deputado e, não raras vezes, volta a ser prefeito também”, afirma. De modo similar, o Senado recebe ex-governadores que, mais tarde, podem voltar a governar estados. Portanto, estar fortalecido em cidades e estados é fator decisivo – nem que seja elegendo alguém de confiança para os principais cargos locais.
Fabiano Santos, Ph.D. em ciência política e professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), constata que as novas pesquisas sobre o Legislativo têm de fato revelado que este tem muito mais força do que parece. “E estamos mudando para um Congresso mais profissional, dotado de assessoria extremamente bem qualificada, que tem por base de recrutamento o mérito”, avalia. Argelina Cheibub Figueiredo, Ph.D. em ciência política e também professora do Iuperj, lamenta que o senso comum ainda prevaleça. “Apesar de ser crescente o número de pesquisas sobre o Legislativo brasileiro, ainda prevalece, especialmente na imprensa, a visão caricata que dele se tem e as interpretações baseadas em fatos excepcionais, e não nos processos mais regulares.” Ela lembra que o Parlamento brasileiro já deu várias provas de maturidade. “Nós esquecemos que, apesar de todas as medidas restritivas tomadas pelo regime militar durante seus 20 anos de vigência, o Legislativo brasileiro funcionou, com a interrupção de menos de um ano em 1969, desde 1946. E durante todo esse período ele teve papel significativo no processo político, mesmo durante a ditadura, quando, restrito na sua atuação essencialmente política, se preparou de modo técnico e organizacional.” 

Circulação - Se na comparação com os Estados Unidos há grandes diferenças na circulação parlamentar, a observação do que ocorre na França levou Mayla Di Martino a encontrar aproximações. Principalmente no que se refere ao “vai e vem” da carreira parlamentar, que caracteriza o Brasil. Também naquele país, no ano de 2006, por exemplo, 89% dos deputados nacionais acumulavam o mandato na Assembleia Nacional com um cargo eletivo regional ou local. “Como no Brasil, os deputados franceses também precisam manter esse elo com a política local se quiserem se manter progredindo no mercado político”, explica a cientista política. 
Especialistas franceses dizem que o padrão muito regionalizado de recrutamento parlamentar na França, aliado à profissionalização dos parlamentares, levou a essa situação conhecida como cumul des mandats, acúmulo de mandatos. “Por ser um político profissional, o deputado francês precisa acumular recursos políticos que o mantenham progredindo na carreira: a oportunidade de acumular um cargo de prefeito com o cargo de deputado nacional traz oportunidades óbvias em termos de contato com as bases, influência perante o partido e recursos para serem usados na campanha de reeleição ao Parlamento ou na disputa por outros cargos na esfera nacional”, acrescenta a pesquisadora.
Na França como no Brasil, portanto, a procura da parte dos deputados federais por cargos no âmbito local e regional não implica a falta de importância da carreira parlamentar na esfera nacional. Trata-se de uma estratégia de parte dos deputados eleitos de dirimir riscos de derrota eleitoral em eleições futuras, em sistemas políticos multipartidários e marcados por uma alta volatilidade eleitoral. “A minha tese tenta desmistificar esse caráter excepcional que procuram atribuir ao Brasil, mostrando que os caminhos que levam ao Parlamento, por aqui, como em outros países desenvolvidos, são bastante parecidos.”
Em seu banco de dados há a trajetória individual de 4 mil deputados federais, desde 1946 até 2007 – da primeira função pública até a saída definitiva da Câmara Federal –, incluindo todas as eleições disputadas e licenças ocorridas durante a vida parlamentar. Para compreender esses números, usou uma metodologia de análise mais ampla do que a empregada em pesquisas anteriores. “Foi possível demonstrar que, apesar do aumento do número de interrupções na carreira parlamentar, para ocupar ministérios ou secretarias, ou para entrar na disputa por prefeituras, o tempo total de permanência dos deputados tem aumentado”, afirma. 
Prós e contras - A restrição do acesso à própria carreira política é a consequên­cia imediata de tal profissionalização, constata Mayla Di Martino. Em lugares onde a política é dominada por profissionais, a entrada de pessoas de fora do jogo é muito restrita, e os participantes tendem a criar instrumentos para permanecer com o controle. Basta lembrar que os legisladores votam sobre inúmeros aspectos que dizem respeito à sua carreira, no interior ou no exterior do Parlamento, como, por exemplo, as regras eleitorais. “Mas é assim mesmo que tem funcionado nos países desenvolvidos, seja sob o parlamentarismo ou sob o presidencialismo. Esse também tem sido o caso do Brasil”, diz a pesquisadora.
Como efeito negativo da profissionalização, entendida com restrição da circulação nas elites políticas, constrói-se, assim, uma barreira que distancia cada vez mais os eleitos daqueles que os elegeram. Resguardados em suas posições, os parlamentares não se sentem tão obrigados a responder às demandas dos seus eleitorados. Os escândalos, assim, podem se tornar comuns e alcançam até mesmo instituições prestigiosas como o Parlamento britânico, que, em 2009, teve seus representantes flagrados usando verbas de gabinete em benefício próprio.
A capacidade organizacional dos Parlamentos é a consequência positiva da profissionalização, explica. “Estudos sobre o Congresso norte-americano indicam que parlamentares mais adaptados e experientes têm maior capacidade de aprovar leis”, explica a pesquisadora. Também naquele país existe uma carreira interna no Legislativo Federal, o que torna a vida parlamentar um objetivo em si mesma – alguns legisladores podem angariar votos, ou posições de poder junto ao seu partido, por meio de seu trabalho nas comissões parlamentares, uma vez que muitas dessas posições internas do Congresso têm prestígio e visibilidade nacional. “Isso faz com que o Congresso dos Estados Unidos seja muito ativo e autônomo perante o Executivo”, acrescenta. 
Ainda não está respondido, porém, segundo ela, se a profissionalização da política parlamentar é capaz de ensejar a configuração dos Parlamentos nos moldes dos Estados Unidos, com esse modelo de carreira política interna. “Muitos especialistas gostariam de ver funcionando no Brasil um modelo parecido com o norte-americano, na esperança de que o Legislativo brasileiro seja menos dependente da agenda política ditada pelo Executivo.”
O desprestígio do Parlamento brasileiro, para David Fleischer, da UnB, está ligado não somente à sequência de escândalos que constantemente o paralisa como também ao poder reduzido que tem em relação ao Executivo. “O presidente aqui tem poderes imperiais, o que tira a autonomia das duas Casas. Pode, por exemplo, fazer mudanças no Orçamento a qualquer hora e fazer nomeações sem precisar da aprovação. Nos EUA não é assim”, pondera. Não é à toa que em pesquisas de opinião pública o Congresso brasileiro apareça como a instituição de menos confiabilidade, lembra o professor da UnB.
Fabiano Santos, do Iuperj, diz que é preciso avançar na capacidade de iniciar agendas próprias, independentemente do Executivo, em especial nas áreas econômica, financeira e administrativa. “Na América Latina estamos bem à frente, não só em termos de institucionalização de procedimentos, capacidade de armazenar e distribuir informações sobre a atividade parlamentar, como também  em dados para processar decisões. Em relação aos EUA e demais países desenvolvidos, nos saímos bem em certos aspectos e não tão bem em outros”, compara. A responsabilidade dos partidos na política nacional é um dos pontos que merecem ser explorados em futuras pesquisas e debates. “É muito fácil expulsar o membro de um partido diante de denúncias da corrupção, e é muito difundida a tese de que, no Brasil, o partido político tem pouca influência sobre o resultado das eleições e que a vitória se deve mesmo ao carisma ou ao currículo de cada candidato, ou seja, a tese do personalismo político”, afirma Mayla Di Martino.
Desse modo, o paradigma da profissionalização permite enxergar a situa­ção por outro prisma, acrescenta: para permanecer no jogo, os candidatos dependem do partido político: precisam ganhar indicações para cargos eletivos ou cargos de confiança; precisam de abrigo nos tempos de infortúnio eleitoral – quando perdem as eleições, afinal, a maioria dos políticos teve que interromper ou deixar em segundo plano a sua profissão original. “É preciso uma mudança de paradigma na maneira como se analisam os partidos políticos no Brasil: a partir do momento em que os próprios analistas políticos passarem a acreditar que eles realmente influenciam a vida política brasileira, quem sabe consigam fazer a população atentar para o fato de que, no momento da eleição, é importante punir o partido pelo erro de seus candidatos”, afirma a pesquisadora da USP.  

Fonte: Fapesp

Eleições na reta final – ainda bem!

Eleições na reta final – ainda bem!

 

O princípio básico da democracia – a livre manifestação – foi desrespeitado na reta final desta triste campanha. 

Por Claudio Carneiro


O país entra na última semana de campanha eleitoral demonstrando certa dose de impaciência com tudo de ruim – ou muito pouco de bom – que viu e ouviu desde que o processo foi deflagrado no dia 6 de julho. Eleições que nem terminaram mas, mesmo que já fizessem parte do passado, não deixariam saudade uma vez que foram muito parecidas com as que vimos em anos anteriores. Eleições do passado com o macaco Cacareco reprisado no palhaço Tiririca, de nomes de outrora que insistem em se manter presentes, como importantes núcleos familiares e coronelistas do Norte, Nordeste, Sudeste, Brasília, Rio de Janeiro e – sabe-se lá – onde mais.
Leia também:
Eleição presidencial toma rumos inesperados no Brasil
O processo eleitoral é muito cansativo. Os dois candidatos demonstram isso em seus rostos. Já o eleitor, por seu turno, seja o primeiro ou o segundo, também dá sinais de que o período de campanha é tão extenso quanto extenuante. Por mais simpatia que se tenha por um ou por outro candidato – convenhamos – 40 minutos de exposição diária dentro das nossas casas é tempo demais para uma visita. Ainda mais se considerarmos que – como afirmou o economista Carlos Lessa estes dias – nenhum dos dois apresentou uma proposta sequer de interesse da população para além dos denuncismos sobre privatização que não têm, efetivamente, interesse prático na vida do cidadão comum.
O nível da campanha não foi grande coisa. É difícil precisar de qual submundo surgem as torcidas organizadas de certos times de futebol. Mas certamente elas passam pelo mesmo ralo de onde submergem as militâncias políticas que partem para o confronto e tentam impedir que adversários façam suas campanhas livremente como ocorreu esta semana. O princípio básico da democracia – a livre manifestação – foi desrespeitado na reta final desta triste campanha. Todos temos o direito de escolher nosso time, nossa religião e nosso momento político. É legítimo. Ilegítimo é imaginar que todos devem rezar pela mesma doutrina, vestir as mesmas cores e apertar a mesma tecla verde.
Em outras esferas, também, a coisa andou mal. Quando se pede um pouco de velocidade do Supremo Tribunal Federal para decidir questões como o julgamento do recurso do candidato ao Senado Jader Barbalho por descumprimento da Lei da Ficha Limpa, o STF se movimenta tal um quelônio para resolver esta e outras pautas, como a validação ou não dos votos de Paulo Maluf, Tiririca, Garotinho e muitos outros.
Como a corrida para o segundo turno tem suas prioridades, o Governo decidiu, por exemplo, atrasar as investigações que deverão colocar Erenice Guerra e sua família em seu devido lugar e, por outro lado, antecipar para o meio desta semana o início da exploração comercial do campo de Tupi. E mais, nunca antes na história deste país, a Polícia Federal e a Receita Federal haviam sido usadas com os fins eleitoreiros a que foram submetidas – e desmascaradas – nestes últimos dias. Perderam com isso, além da virtude, a credibilidade.
Além do âmbito federal, a eleição se arrasta também, nos planos distrital e estadual. Mesmo em terrenos secos como os de Brasília, dona Weslian Roriz se atola na corrida final pelo Governo do Distrito Federal. A esposa do “Seu” Joaquim lançou um factóide no qual promete, simplesmente, cancelar todas as multas de trânsito, como uma espécie de mimo para os eleitores dublês de motoristas. E como para prometer basta abrir a boca, a senhora Roriz já mandou dizer que vai estender as linhas do metrô, a adoção de bilhete único, novas frotas de ônibus, plano de saúde para professores. A candidata desistiu de participar dos debates da Band e da Record. E tem bons motivos pra isso. Os lapsos no debate da TV Globo renderam boas piadas.
Os vizinhos de dona Weslian, em Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e Íris Rezende (PMDB), voltam a se confrontar nas urnas. Em Alagoas, os candidatos Teotonio Vilela (PSDB) e Ronaldo Lessa (PDT) são os adversários do segundo turno e deixaram Fernando Collor de fora. Lucas Barreto (PTB) e Camilo Capiberibe (PSB) vão para o segundo turno no Amapá. No Pará, disputam Ana Júlia Carepa (PT) – que busca a reeleição – e Simão Jatene (PSDB). Na Paraíba, haverá segundo round entre os candidatos Ricardo Coutinho (PSB) e Zé Maranhão (PMDB) que terminaram o primeiro turno rigorosamente empatados com 49 pontos. A briga no Piauí é entre Wilson Martins (PSB) – que busca a reeleição – e o tucano Sílvio Mendes. João Cahulla (PPS) e Confúcio Moura (PMDB) estão no segundo turno em Rondônia. Neudo Campos (PP) e José Anchieta (PMDB) disputam em Roraima.
Se o segundo turno tem suas vantagens – pois proporciona o debate das ideias – demonstrou também, neste agitado cenário político, uma faceta perigosa. O país cindiu-se em duas partes. Assim como corintianos e palmeirenses, islâmicos e judeus, rubro-negros e vascaínos, evangélicos e umbandistas, a radicalização dividiu o país em dois grupos políticos que parecem incapazes de um convívio minimamente democrático e civilizado. Está aberto o precedente.

Fonte: Fapesp

Conspiração no aquário!


Conspiração no aquário!

 

http://www.correio24horas.com.br/uploads/RTEmagicC_paul_400.jpg.jpg

Claudio Schamis


Confesso que varei a madrugada esperando que a musiquinha do Plantão da Globo  entrasse em ação e anunciasse que o presidente Lula decretou luto oficial de três dias em virtude da morte de Paul, o polvo. O polvo da Copa do Mundo.
E tenho certeza que ele ainda afirmará em um de seus próximos discursos ou em alguma fajuta meia inauguração de alguma obra semiacabada que Paul não morreu de causas naturais e que exige uma investigação profunda já que Paul vivia num aquário e que isso só pode ser uma ação conspiratória da campanha de Serra e da oposição que quer por que quer colocar água na cachaça já separada para se brindar a vitória de Dilma já que se temia que Paul indicasse que Dilma seria o novo presidente do Brasil.
Soube por fontes de dentro da Casa Civil com a ajuda de um amigo que serve cafezinho e que é afilhado da mãe do motorista que por sua vez é tio do jardineiro que cuida das plantas na casa de Erenice Guerra, que Lula promoveu uma reunião com toda a sua corja, quero dizer, cúpula, e que ele pretende abrir e exige uma CPI no escândalo que ele chamará de “Polvogate”, pois Lula tem a mesma certeza de que Ahmadinejad é um santo homem, que Paul foi assassinado.
Um Lula muito abatido já confirmou presença em dezembro na Conferência do Clima em Cancún, no México, onde promete prestar sua homenagem a Paul, que tem família morando lá. Não é fofo o “nosso” presidente? Ele já está tendo aula de mergulho nas horas vagas, pois depositará uma coroa de crustáceos no fundo do mar.
Mais fofo ainda é Lula prometer, no fim de seu mandato, a construção de mais de 2 milhões de casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”, o que terá que ser feito pelo próximo governo. Do alto de sua soberba e salto alto, Lula joga com o emocional das pessoas necessitadas, dizendo nas entrelinhas, nas sobrelinhas e fora de qualquer linha que isso irá acontecer, pois Dilma, a nova operária do PT e que é o projeto do partido, segundo palavras de José Dirceu, o Temido, irá terminar o legado do Lula. Um legado de corrupção, soberba, lama, mentiras e de várias caras, bocas, meias e imagens que nada dizem. Principalmente para o presidente Lula, diga-se de passagem.
Mas antes que meus desafetos e fervorosos defensores de Lula me ataquem e digam que eu sou injusto, temos que comemorar que o Brasil está na posição (bem sugestiva) e ocupando o 69º lugar dos menos corruptos. Dados esses divulgados pela ONG Transparência Internacional da qual nem quero saber quem faz parte. Vai que?
E não deve ser por acaso que o filho do Lula, Fábio Luiz, o Lulinha, da noite para o dia ficou rico. Mais ou menos da noite para o dia. Antes de Lula ser presidente, ele ganhava R$ 600 e trabalhava como monitor no Zoológico de São Paulo, e hoje é um empresário de sucesso, rico, muito rico. Vai que ele conheceu Paul, o polvo e pediu os números da mega-sena?  Essas pessoas que não gostam do Lula só pensam em maldade e falcatruas. Tenho certeza de que Lula não sabe de nada. Só deve achar que seu filho é um fenômeno, um gênio das finanças.
O que é um fenômeno verdadeiro é ver que a postura dos dois candidatos não mudou. O debate virou um ringue de acusações, de guerra com as Erenices e Paulos Pretos da vida. Não existe respeito algum entre os candidatos. E será que isso já é uma demonstração de que não devemos esperar que consigam impor respeito a um país com eles agindo dessa maneira. O que é triste. E até perigoso.
Perigoso também é agora ter que acreditar nos números dos institutos de pesquisa que erraram ao darem Dilma como vencedora já no primeiro turno. E agora que Paul morreu…
Nem sei mais o que falar. Pedir para prestarmos atenção no próximo, último e derradeiro debate entre Davi x Golias, como disse Serra, que se intitulou ser o Davi, será que terá algum efeito? Só se for o efeito estufa. Pois o nosso saco já está mais que estufado com tantas coisinhas miúdas sendo discutidas e as sérias deixadas de lado.
Mas como disse não temos escolha. Ou é Serra ou é Dilma. Se o nulo entrasse como candidato eu votaria é nele e pediria o seu voto também. Já que todos pedem voto para os seus candidatos eu me acho no direito de ter esse direito.
E acrescentaria que o “nulo” é capaz até ganhar em forma de uma mulher, pois ainda me preocupa José Dirceu agindo nos bastidores e ninguém ou quase ninguém se dando conta disso.
Mas volto a falar, se você acha que nenhum dos dois é o seu candidato de coração pelo motivo que possa ser, vote com o seu coração e acima de tudo com coragem. Vote nulo. Não vote pensando que votar nulo é jogar seu voto fora. Votar em qualquer um dos dois pelo motivo que for, pelo simples fato de votar é sim jogar seu voto no lixo. Seu voto não é lixo. Seu voto é a sua certeza de que você fez a coisa certa para o seu país. Tudo bem que é de uma forma até subjetiva, mas pelo menos sua digital não estará marcada pelos próximos quatro anos, como uma espécie de cúmplice do que possa vir pela frente.
Eu não estou aqui torcendo para que quem ganhar faça um mau governo. Quero que o país cresça e que quem subir a rampa possa fazer seu melhor pelo país. Pelo país.
Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

Fonte: Fapesp

Ficar e votar ou viajar e justificar?

Ficar e votar ou viajar e justificar?

 

http://www.vilaboadegoias.com.br/viagens/fotos/Fotos%20da%20Praia%20de%20Pipa.jpg

O voto é obrigatório no Brasil, mas não a ponto de impedir que os eleitores viajem no feriadão em vez de participar da eleição. por Hugo Souza


Como já é do conhecimento do povo brasileiro, a votação do segundo turno para presidente da República – e para governador nos estados onde a questão não foi resolvida no dia 3 de outubro – acontecerá entre dois feriados: o desta quinta-feira, 28, dia do servidor público, e o da próxima terça-feira, 2, Dia de Finados. Em outras palavras, teremos uma eleição no meio de um baita feriadão.
Esta coincidência pouco cabalística abre a possibilidade de um novo recorde de abstenções no Brasil. O índice vem se mantendo estável desde 1994 (a eleição de 1989 é considerada atípica). Neste ano, 2010, a porcentagem de eleitores que não votaram no primeiro turno foi a mais alta desde 1998: 18,12% (24,6 milhões de eleitores). Nas eleições de 2002 e 2006, a abstenção cresceu no segundo turno, ficando em torno de 20%.
Curiosamente, tendo em vista que no Brasil o voto é obrigatório, a justiça eleitoral pouco vem fazendo para minimizar o impacto do feriadão no resultado da eleição. Ao contrário. Nas cidades turísticas de maior porte, os tribunais regionais eleitorais montam locais especiais de justificativa voltados para quem está fora do seu domicílio eleitoral – não por força maior, mas sim por lazer. São as chamadas mesas receptoras de justificativa, muito comuns nas praias de capitais nordestinas como Aracaju e Maceió, onde até os centros de informações turísticas recebem mesas deste tipo.
Com o feriadão, muitos TREs vão aumentar o número desses locais no dia do segundo turno. No estado de Goiás, por exemplo, a justiça eleitoral decidiu aumentar o número de mesas receptoras de justificativa no domingo para 64, 15 a mais do que as 49 montadas no primeiro turno.
Na verdade, o termo “justificar o voto” se popularizou como menção ao ato de o eleitor, no dia da votação, aparecer diante de um mesário em qualquer cidade que não seja o seu domicílio eleitoral para provar, de corpo presente, que está “em trânsito”. E só.

‘Perca um feriado e ganhe um feliz ano novo’

Basta assinar o Requerimento de Justificativa Eleitoral, e o cidadão fica quite com suas obrigações sufragistas, mesmo que tenha ido apenas almoçar na cidade vizinha em um domingo de sol. Justificativa mesmo, tintim por tintim, com um prazo de 60 dias, alegação de um bom motivo para não ter ido votar e um documento que prove a impossibilidade, só mesmo para quem não votou e não apareceu para “justificar” no dia do pleito.
Quem não o fizer, basta depois pagar multa de valor módico estipulada por um juiz eleitoral para receber a Certidão de Quitação Eleitoral. Em suma: viajar em vez de votar pode ser um grande negócio para quem anda desiludido com a política.
Por isso, uma eleição no meio de um feriadão dá à palavra “indecisos” uma outra conotação, além daquela de praxe. Os institutos de pesquisa poderiam muito bem ter incluído uma nova variável em suas sondagens pré-segundo turno, perguntando aos eleitores de Dilma e Serra se eles pretendem ficar em suas cidades e votar ou se planejam viajar e justificar o voto, ou o não-voto.
Alguns cientistas políticos dizem que o feriadão tende a tirar mais votos de Serra do que de Dilma, já que os eleitores do PSDB têm maior renda e, logo, maior possibilidade de viajar. Nesta reta final de campanha, o próprio Serra já criou uma espécie de slogan de emergência: “Perca um feriado e ganhe um feliz ano novo”. A campanha do PSDB levou à TV uma peça na qual se diz: “Domingo, se você está pensando em viajar, dê uma passadinha antes na urna, e vote Serra”.
No primeiro turno das eleições 2010, a abstenção bateu recordes em estados como Amazonas e Maranhão, onde foi a maior entre as unidades da federação (23,97%). O grande número de ausências de eleitores nas urnas maranhenses ajudou Roseana Sarney a vencer a eleição no primeiro turno com uma margem de 0,08% dos votos. Foi a vitória mais apertada do país.

Caro leitor/eleitor,
A eleição será um fator determinante para seus planos em relação ao feriadão?
Você vai ficar na sua cidade e votar ou vai viajar e “justificar”?
Você acha que, tendo em vista a facilidade para não votar, o voto deveria deixar de ser obrigatório logo de uma vez?

Fonte: Fapesp

E se José Serra vencer?

E se José Serra vencer?

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQm6t9VWlhbjUSVOk09J0NnMvpaEIsc9F7HOrARYu6LQGWoD74v0PPI5FJBat0sPYTfW9UP9wEEVVaqqFaK5xfQcUj5Z_HCGvVnYOXRl7kUAY8Hch38JlgWsQChWXsjE7wUpTAk4cWz0s/s1600/jose_serra(1).jpg

Deu-se o inesperado. Serra apareceu no segundo turno, e mais forte do que entrou. Não será surpresa se ele surgir eleito presidente por mínima diferença. 

 

Por Leandro Mazzini


“Se esse aí ganhar, não vai durar muito”.
A frase foi dita por um conhecido líder do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, a um empresário carioca que narrou-me o ocorrido num encontro com políticos em Brasília. Era o recado do grupo aos que indicam uma eventual vitória na eleição deste ano do tucano José Serra (PSDB) – que, para eles, representa a elite.
Isso é apenas uma pedra, e pesada (pelo que já se conhece), no caminho de José Serra se ele surgir eleito presidente da República. Ao longo dos últimos anos, embora sonhasse com a núpcia presidencial na cama do Palácio Alvorada dia e noite, o tucano errou eleitoralmente ao não tentar aproximação com os grupos sociais vislumbrando uma sintonia para um eventual governo seu. Serra evitou o MST e as centrais sindicais. Foi o deputado estadual Campos Machado (PTB), aliado de todas as horas, quem tentou essa aproximação, contou-me o próprio mês passado. Em vão.
Se José Serra vencer a eleição, esse é o seu maior pesadelo na tentativa de consolidar sua eventual gestão nos primeiros meses, ou primeiro ano de governo: controlar os movimentos sociais ligadíssimos ao PT, antes que eles o levem ao obituário das páginas políticas.
Serra não pensou nisso. Talvez porque tenha se decidido tarde a ser candidato a presidente. Revelou-me o governador de São Paulo, Alberto Goldman, que a decisão dele surgiu apenas em março. Para valer. Antes, pairava sobre o Palácio Bandeirantes uma nuvem cinzenta que ora descarregava um temporal de indefinições – Aécio Neves seria ou não um vice? – ora levava relâmpagos de intuições – uma vez candidato, ele seria um exército de um homem só. E o é. Aliados brigam, e os tucanos, pelo menos até o primeiro turno, fizeram vista grossa às andanças do candidato.
Deu-se o inesperado. Serra apareceu no segundo turno, e mais forte do que entrou. Não será surpresa se ele surgir eleito presidente por mínima diferença. Ou se Dilma Rousseff (PT) aparecer nas urnas muito mais forte do que indicam as sondagens. Pesquisas só servem para nortear discursos partidários e confundir o eleitor. Que as digam o primeiro turno. (é hilário ver a CNT/Sensus usar um índice de 8 pontos como margem de erro; um atestado de insegurança).
Se José Serra ganhar, aguardem uma gestão técnica. Um governo que não se furtará, por pressão do próprio partido, a usar o poder eleitoralmente e fazer uma devassa em auditorias na gestão petista – e o PT faria o mesmo, é parte do jogo. Mas podem esperar também o MST ocupar fazendas improdutivas e produtivas – como já fez em alguns episódios – e com mais intensidade. Esperem as centrais sindicais movendo a militância nas ruas de São Paulo em protestos diários, parando fábricas, provocando efeitos – foi assim no dia em que Serra anunciou que seria candidato. Os movimentos sociais são legítimos. Mas, quando movidos politicamente, deve-se atentar para a linha tênue entre o direito de manifestação e a desordem urbana.
Esse será o grande desafio de Serra, se eleito.
O professor e cientista político Emerson Mazulo (Católica do DF), incitado por este colunista, lembrou um fato curioso sobre pesquisas na Grã-Bretanha. As sondagens sempre indicam vitória dos trabalhistas, mas em muitos casos os conservadores vencem para o Parlamento. Há estudos comprovados de que as pesquisas feitas pessoalmente com cidadãos britânicos acabam por intimidá-los. São conservadores e querem se mostrar liberais. Ou seja, alternando esse cenário para o Brasil, o tal “voto conservador” e oculto que é de José Serra pode elevá-lo a um empate com Dilma e a disputa voto a voto até a última urna. O jogo, para muitos, está zerado.
Nota do colunista – atentem para um fato político não conhecido e que mostra o amadurecimento de José Serra. Geraldo Alckmin, em 2008, peitou todo o PSDB e o DEM, que tinham acordo de manter Gilberto Kassab na prefeitura paulistana, e se lançou candidato contra o demista. Um desastre total. Saiu ferido, chamuscado e abandonado. Recolhido em seu silêncio, teve a mão amiga e esperta do governador, que o resgatou do ostracismo político e o fez secretário de Desenvolvimento de SP. Além disso, o alçou ao governo do estado. Serra tinha ciência do poder de Alckmin, nunca o abandonou. Alckmin, hoje, é fiel devoto de José Serra, e se empenha por ele. Viraram bons amigos. Noite dessas, depois de um debate na TV, em jantar na casa de conhecido secretário de governo paulista, Serra pediu silêncio e brindou em homenagem à fidelidade de Alckmin. O prosseco quase virou lágrimas.

Fonte: Fapesp

Confira a íntegra do discurso em que o Papa Bento XVI pede a bispos para orientarem católicos na política

Confira a íntegra do discurso em que o Papa Bento XVI pede a bispos para orientarem católicos na política


http://www.dolado.com.br/wp-content/uploads/2009/09/papa-bento.jpg
Confira a seguir a íntegra do discurso em que o Papa Bento XVI conclama bispos brasileiros a orientar politicamente os fiéis.
“Amados Irmãos no Episcopado,
«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
“Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
“Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).
“Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).
“Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária – como vos disse em Aparecida – uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
“Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).
“Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
“Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.
“Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.”

Fonte: Fapesp

Dilma nega danos à campanha e diz que manifestação do papa precisa ser respeitada

Dilma nega danos à campanha e diz que manifestação do papa precisa ser respeitada


MÁRCIO FALCÃO
RANIER BRAGON


DE BRASÍLIA 


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira não acreditar que a recomendação do papa Bento 16 para que a Igreja Católica oriente politicamente seus fiéis no Brasil prejudique sua campanha.
Dilma afirmou que não vê nenhum constrangimento na declaração do papa que, em conversa com bispos brasileiros em Roma, também se posicionou contra o aborto.
Para a petista, a manifestação do papa precisa ser respeitada. "Eu acho que é a posição do papa e tem que ser respeitada. Encaro que ele tem o direito de manifestar o que ele pensa. É a crença dele e ele está recomendando uma orientação", disse.
Alvo de uma campanha no primeiro turno em igrejas e templos religiosos de que defenderia o aborto, Dilma negou que exista relação entre esses rumores contra ela e a manifestação do papa.
"Vamos separar as questões. Eu não acho que o papa tem nada a ver com isso. No Brasil, ocorreu outra coisa: uma campanha que não veio a luz do dia, quem fez a campanha não se identificou, não mostrou sua cara. Foi uma campanha de difamações,calúnias e algumas feitas ao arrepio da lei porque a lei proíbe que isso ocorra. Ele veio a público e falou a posição dele", afirmou.
Dilma disse que sempre reclamou do jogo feito no submundo da política. "Nós somos contra essa conversa que vem por baixo do pano, tenta fazer um jogo que confunde tudo. Eu cansei de repetir qual é a minha posição nessa questão do aborto. Eu pessoalmente sou contra o aborto", disse.
Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática --o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista "Marie Claire".
Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Hoje, diz que repassará a discussão ao Congresso.
A petista reafirmou que não pretende mudar a legislação vigente, que permite o aborto em caso de estupro e risco para a vida da mãe. Dilma voltou a falar, no entanto, que essa é uma questão de saúde pública.
APOIO
Dilma recebeu hoje em Brasília o apoio da FUP (Federação Única dos Petroleiros). A petista rebateu as críticas de seu adversário José Serra (PSDB) de que o governo Lula fez mais concessões para exploração de petróleo do que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Dilma, a prática ocorreu porque o petróleo era em pouca quantidade, baixa qualidade e com alto custo de exploração.
FICHA LIMPA
A candidata evitou comentar a decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal que validou a Lei da Ficha Limpa para estas eleições.
"Eu não debato com o STF. Acho que nenhum de nós deve fazê-lo. Quando se trata de decisão última do Supremo, mesmo que você tenha sido contra ou a favor antes, ela existe para ser cumprida", disse.

O automóvel une o que o poder separa


 
CLAUDIO DE SOUZA Editor de UOL Carros
 
Olhe a foto que vem logo abaixo. Ela já foi comentada neste blog porque fazia parte da cobertura do Salão do Automóvel de 2008, mas ainda não havia sido mostrada no âmbito da cobertura atual:

Marlene Bergamo/Folha Imagem – out.2008
 
A senhora da esquerda, parcialmente escondida atrás da coluna A do carro, recentemente disse que o senhor careca e sorridente, sentado ao lado do barbudo que vai ao volante, é mentiroso e joga sujo; de sua parte, o senhor careca vem dizendo que ela tem duas caras e não passa de uma marionete.
Em pé, a uma pessoa de distância da mulher, está outro careca, este de óculos e também parcialmente escondido pelo carro (percebe-se, pela sua expressão, que ele também está sorrindo), o qual há poucos dias acusou a turma a que pertencem a senhora e o barbudo de agir como nazistas. De sua parte, o barbudo vem até debochando da turma dos dois carecas.
Agora, repare logo atrás da mulher, um pouco à direita: no mesmo ano em que essa foto foi tirada, o dono daqueles cabelos escuros (é só isso que aparece dele) foi alvo de insinuações sobre sua vida pessoal partindo da ex-mulher do sujeito de cabelos brancos e óculos que está posicionado de lado, ao fundo. E sua turma também é alvo predileto do barbudo, que já sugeriu seu “extermínio”.
Nessa hora, no entanto, todos pareciam amigos e felizes da vida. Ah, a força do automóvel…
PS — A senhora é Dilma Rousseff (PT), o senhor careca é José Serra (PSDB), o barbudo é Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o segundo careca é o atual governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), o dono dos cabelos escuros é o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o dono dos cabelos brancos é o senador Eduardo Suplicy (PT). E o carro é um smart fortwo cabrio. A quem interessar possa, a visita de Lula ao Salão do Automóvel deste ano — por ora, sua última como presidente da República — está marcada para a manhã de sexta-feira (29), antes da abertura do evento ao público.

Formalismo russo: E suas contribuições para a moderna crítica literária



Formalismo russo:


E suas contribuições para a moderna crítica literária


por Leonardo Passos*



Reprodução Lyubov Popova, Head (1920)

Primeira Guerra Mundial
Foi o primeiro grande conflito internacional (1914-1918). A guerra envolveu os países da Tríplice Entente (Grã- Bretanha, França e Rússia, até 1917) e EUA contra a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Áustro-Hungaro e Império Turco-Otomano). Como resultado, aconteceram mudanças geopolíticas na Europa e no Oriente Médio.

Cubismo
Movimento artístico nascido no início do século XX. Seus principais expoentes foram Pablo Picasso e Georges Braque. Caracteriza-se por tratar as formas da natureza por meio de figuras geométricas, com a representação de todas as partes de um determinado objeto em um mesmo plano, sem compromisso com a sua aparência real.

Revolução Russa
A Revolução Russa (1917) foi um dos grandes acontecimentos políticos do século XX. Ela culminou com uma série de eventos que marcaram o fim do czarismo absolutista e a implantação do socialismo no país, posteriormente sob o controle de um partido único, o bolchevique. No processo revolucionário, foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Seus grandes líderes foram Lênin, Trotsky e Stalin.
Reprodução
Positivistas
O positivismo, doutrina filosófica e política, foi um dos desenvolvimentos sociológicos do Iluminismo. Seu criador foi o francês Auguste Comte (1798-1857), que pregava a busca da explicação pelas coisas mais práticas na vida do ser humano, como no caso das leis, relações sociais e a ética, confinando-se ao estudo das relações existentes entre fatos que sejam acessíveis à observação.
"A Lingüística é a
parte do conhecimento
mais fortemente
debatida no mundo
acadêmico. Ela está
encharcada com o sangue
de poetas, teólogos,
filósofos, filólogos,
psicólogos, biólogos e
neurologistas além de,
não importa o quão
pouco, qualquer sangue
possível de ser extraído de
gramáticos?"
Russ Rymer, jornalista
americano

A segunda década do século XIX mostrava grandes transformações socioculturais ao mundo. A Primeira Guerra Mundial alterava de maneira drástica as relações políticas entre diversas nações, bem como todo o panorama cultural do globo; o rádio ampliava as comunicações humanas; os automóveis se expandiam; no campo das artes, alastravam- se movimentos de vanguarda, como o cubismo , dadaísmo e o jazz; Charles Chaplin encantava o mundo com seus filmes, assim como o faziam outras produções do cinema mudo; Albert Einstein tecia valiosas contribuições à ciência; e a Rússia vivia um período de profundas mudanças em decorrência de sua grande Revolução Russa , que também afetava as produções artísticas, efervescentes nesse período da história do país. Foi nesse contexto que surgiu uma das mais importantes correntes críticas da literatura, o Formalismo Russo, que daria o pontapé inicial para os estudos modernos no campo das Letras.
Tzvetan Todorov, importante estudioso e divulgador das ideias dos formalistas, assim como Roman Jakobson, um de seus mais célebres membros, alegam que o nome dado ao grupo advém de uma falácia, já que era utilizado por seus detratores de forma pejorativa. Apesar de rejeitado, o termo acabou se consagrando.
Empiristas e positivistas ignoravam premissas filosóficas ou metodológicas e, portanto, toda conclusão abstrata. Por se tratar de um grupo de críticos militantes, rejeitavam as doutrinas simbolistas quase místicas que haviam influenciado a crítica literária e, munidos de grande vontade prática e científica, focaram a atenção para os aspectos intrínsecos do texto literário. Desejavam chegar a uma ciência da Literatura, que tivesse por objeto não a Literatura, mas a literariedade do texto, ou seja, aquilo que lhe confere caráter literário. Dentre os seus membros, destacavamse Mikhail Bakhtin, Vladimir Propp, Viktor Chklovski, Óssip Brik, Yuri Tynianov, Boris Eikhenbaum e Boris Tomachevski, além do já citado Jakobson.
Reprodução R. Zimin Sodom
O Círculo Linguístico de Moscou e a OPOJAZ
Alguns proeminentes alunos da Universidade de Moscou fundaram o Círculo Linguístico de Moscou, no inverno de 1914, com o objetivo de realizar estudos nos campos da poética e da linguística. Tais estudos foram inovadores desde o início por estabelecerem análises paralelas entre a literatura e a linguística, preocupação que seria dominante nos trabalhos realizados pelo grupo. O termo função poética foi cunhado nesta época, instituindo importantes considerações a respeito da linguagem literária.
O Círculo Linguístico de Moscou tinha entre seus membros importantes poetas, como Maiakovski, Pasternak, Mandelstam e Assiéiev. Tal aliança não se deu ao acaso, mas pelas intenções semelhantes dos formalistas e dos poetas vanguardistas, que estavam cansados da velha estética e buscavam novas formas em meio às profundas alterações da revolução. A poesia pretendia seguir por novos rumos estéticos enquanto a crítica já não se importava mais com a dicotomia existente entre os gêneros clássico e romântico, considerando tais preocupações ultrapassadas.
A primeira publicação do grupo, A Ressurreição da Palavra (1914), de Viktor Chklovski, foi seguida da coletânea Poética (1916), de Óssip Brik, que tencionava divulgar os primeiros trabalhos do grupo. Em 1917 surgiu, em São Petersburgo, a OPOJAZ (Sociedade para os Estudos da Linguagem Poética), da qual eram membros os dois autores supracitados.
A natureza autônoma da linguagem poética
O Formalismo Russo, pela sua diversidade de pensamentos e análises, não produziu uma doutrina unificada que servisse como padrão para todos os seus estudos, como atesta Eikhenbaum na mesma brochura citada: "Realmente, não falamos, nem discutimos sobre nenhuma metodologia. Falamos e podemos falar unicamente de alguns princípios teóricos que nos foram sugeridos pelo estudo de uma matéria concreta e de suas particularidades específicas, e não por este ou aquele sistema completo, metodológico ou estético."
Desde seus primeiros estudos, o Formalismo Russo caracterizou-se pela recusa de abordagens extrínsecas ao texto. Psicologia, sociologia, filosofia etc., que serviam de base para muitos estudos literários realizados até então, não poderiam constituir o escopo de análise da obra literária, que deveria ser efetuada por meio dos constituintes estéticos sem relevar aspectos externos. Em uma importante coletânea de textos traduzida para o português como Teoria da Literatura: Formalistas Russos (Globo, 1976), Boris Eikhenbaum descreve de forma sucinta a premissa do grupo do qual fazia parte: "O que nos caracteriza não é o formalismo enquanto teoria estética, nem uma metodologia representando um sistema científico definido, mas o desejo de criar uma ciência literária autônoma a partir das qualidades intrínsecas do material literário."
As opiniões dos formalistas entraram em conflito com os teóricos de inspiração marxista, pois estes consideravam que a nova poética não deveria ignorar as realidades sociais e sua relação com as manifestações artísticas. Os formalistas consideravam que a obra literária não era um mero veículo de ideias, tampouco uma reflexão sobre a realidade social: era um fato material plausível de análise. Era formada por palavras, não por objetos ou sentimentos, e seria um erro considerá-la como a expressão do pensamento de um autor.
Os formalistas tencionavam criar uma ciência da literatura, que deveria afastar-se de quaisquer aspectos extraliterários, e para que isso fosse possível, a literatura deveria ser estudada por si só, daí a necessidade de conceitualização da literariedade, que daria o respaldo necessário para aquilo que se almejava: o estudo da natureza autônoma da linguagem poética e sua especificidade como um objeto de estudo da crítica literária.


"Embora (Roman)
Jakobson nem tenha
teorizado diretamente
sobre os problemas
da textualidade, para
esse tema contribui sua
concepção de poética
sincrônica que, no Brasil,
foi estudada por Haroldo
de Campos."
Irene Machado,
semióloga
Reprodução
Roland Barthes
O francês Roland Barthes (1915-1980) é considerado um dos maiores e mais importantes críticos literários do Ocidente. Para ele, a unidade do texto não se encontra na sua origem, mas em sua destinação. Umas de suas principais obras é "Elementos da Semiologia", escrita em 1964.
"A linguagem está
sempre inserida em um
diálogo constante com
a vida social e cultural;
dessa forma ela se torna
viva, múltipla, porque
marcada pelas vozes
presentes nas interações
sociais."
Mikhail Bakhtin,
linguista russo
A literariedade

Roman Jakobson cunhou uma das mais importantes considerações da postura formalista, que acabou se tornando quase um manifesto do movimento:
"A poesia é linguagem em sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária. E no entanto, até hoje, os historiadores da literatura, o mais das vezes, assemelhavam- se à polícia que, desejando prender determinada pessoa, tivesse apanhado, por via das dúvidas, tudo e todos que estivessem num apartamento, e também os que passassem casualmente na rua naquele instante. Tudo servia para os historiadores da literatura: os costumes, a psicologia, a política, a filosofia. Em lugar de um estudo da literatura, criava-se um conglomerado de disciplinas mal-acabadas. Parecia-se esquecer que estes elementos pertencem às ciências correspondentes: História da Filosofia, História da Cultura, Psicologia, etc., e que estas últimas podiam, naturalmente, utilizar também os monumentos literários como documentos defeituosos e de segunda ordem. Se o estudo da literatura quer tornarse uma ciência, ele deve reconhecer o 'processo' como seu único 'herói'."
Acerca da literariedade proposta por Jakobson, Eikhenbaum tece algumas considerações: "Estabelecíamos e estabelecemos ainda como afirmação fundamental que o objeto da ciência literária deve ser o estudo das particularidades específicas dos objetos literários, distinguindo-os de qualquer outra matéria, e isto independentemente do fato de que, por seus traços secundários, esta matéria pode dar pretexto e direito de utilizá-las em outras ciências como objeto auxiliar."
Viktor Chklovski diz que a língua poética difere da língua prosaica pelo caráter perceptível de sua construção. Jakobson afirma que se a intenção da comunicação detém um objetivo puramente prático, ela faz uso do sistema da língua cotidiana (do pensamento verbal), na qual as formas linguísticas (os sons, os elementos morfológicos etc.) não têm valor autônomo e não são mais que um meio de comunicação.
Reprodução Vera Pestel
Narratologia
Vladimir Propp foi um dos fundadores da Teoria da Narrativa, ou Narratologia, ao analisar os componentes básicos do enredo dos contos populares russos visando a identificar os seus elementos narrativos mais simples e indivisíveis. Seus estudos são um ótimo exemplo de análise probabilística aplicada à literatura, configurando o caráter puramente científico que os formalistas pretendiam atribuir aos seus estudos. Propp encarava os contos como algoritmos combinatórios, em que os nomes e os atributos dos personagens constituem valores permutatórios, enquanto suas ações ou funções permanecem constantes, ou seja, nos tais contos, as mesmas histórias eram repetidas, alterando-se apenas os personagens.
Em 1928, Propp publicou o livro A Morfologia dos Contos de Fadas, no qual estabelecia os elementos narrativos básicos que ele havia identificado nos contos folclóricos russos. Basicamente, Propp identificou sete classes de personagens ("agentes"), seis estágios de evolução da narrativa e 31 funções narrativas das situações dramáticas. A linha narrativa que ele traça, ainda que flexível, é fundamentalmente uma só para todos os contos.
Legado
Além dos já citados autores que permearam sobre os estudos da Teoria da Narrativa, o Formalismo Russo influenciou muitos estudiosos e deixou um enorme legado aos estudos literários e linguísticos. Entre seus sucessores está a Escola de Praga, ou Círculo Linguístico de Praga, fundado em 1926 por Roman Jakobson, que se mudou para a Tchecoslováquia após a dissolução do Círculo de Moscou, acusado de ser burguês e reacionário pelo novo regime comunista. O grupo adotava uma perspectiva semiótica geral para o estudo científico da literatura e, em outro campo, a fonologia viria a tornar-se sua base paradigmática num diferente número de formas.
Também fortemente influenciado pelo Formalismo Russo, o Estruturalismo, surgido na França, alcançou grande repercussão no fim da década de 1960 graças aos escritos de Roland Barthes . A crítica estruturalista distinguia-se por analisar as obras literárias por meio da Semiótica, ou ciência dos signos.
Os conceitos de Mikhail Bakhtin a respeito de dialogismo, polifonia (linguística), heteroglossia e carnavalesco, bem como os conceitos de análise estrutural da linguagem, poesia e arte realizados por Roman Jakobson, foram de extrema importância para os estudos modernos nos campos da Linguística e da Teoria da Literatura, influenciando um sem-número de autores.

Fonte: Revista Literatura

Menino Maluquinho faz 30 anos

Menino Maluquinho faz 30 anos

A Tarde On Line
Era uma vez um menino que tinha o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés. O 'Menino Maluquinho', persongem mais famoso do desenhista e cartunista Ziraldo, está completando 30 anos, neste domingo, 24. A data também marca o aniversário de seu criador, que faz 78 anos.

O garoto vive com uma panela na cabeça e é personagem do livro infanto-juvenil que leva o seu nome. Com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, a obra já foi parar no teatro, cinema e televisão. O primeiro longa ('Menino Maluquinho, o Filme') estreou em 1994. O segundo ('Menino Maluquinho 2, a Aventura'), três anos depois, e o terceiro ('Menino Maluquinho 3 - O Que Você Está Fazendo no Meu Sonho?') já está em fase de produção.

Ziraldo é também o autor de 'Flicts' e criador de personagens como 'Geremias, o Bom', 'Supermãe' e toda 'A Turma do Pererê', além de integrar a turma de humoristas que, na década de 1960, fundou o jornal 'O Pasquim'. Dono de um traço internacionalmente conhecido, Ziraldo já foi até enredo de escola de samba, na paulista Nenê de Vila Matilde.


Policial-bolha canadense processa YouTube por conta de piadas contra ele

Policial-bolha canadense processa YouTube por conta de piadas contra ele



Por Nátaly Dauer

Um policial canadense entrou com um processo contra o YouTube após o vídeo de uma atitude nada complacente com uma jovem em um protesto na reunião do G20 em Toronto, em julho, ter se tornado viral e muitas piadas sobre ele terem aparecido no site.
Uma reunião do G20, grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo, acontecia em Toronto, e os já costumeiros protestos de ativistas ocorriam do lado de fora. Um cordão de isolamento formado por policiais guardava o prédio. Até aí tudo bem. Só que uma das formas de protesto era bolhas de sabão, e é aí que entra o policial Josephs.
O vídeo oficial da pataquada no qual se envolveu Constable Joe está disponível no YouTube, claro, e explica claramente o que aconteceu. Clique aqui para assistir ao vídeo no YouTube.
Josephs ameaçou a ativista Courtney Winkels de prisão caso qualquer bolhinha encostasse nele. Como destacou o site Toronto Life à época, vale reparar na cara metade perplexa, metade em diversão, da colega de Josephs, parecendo não acreditar que as bolhas estivessem realmente incomodando o oficial.
Mas o caso é que, como era de se esperar, um vídeo que captou esta cena inusitada se tornou viral no YouTube e inúmeras piadas com a situação apareceram mais tarde na página de vídeos da Google, com gozações feitas ao policial. Um rápida busca por Officer Bubbles , como ele foi apelidado, resulta em diversos vídeos feitos por usuários com piadas e remixes. Mas o que o deixou realmente furioso foi uma série de desenhos muito parecidos com ele que retratavam situações de abuso de poder.
E é justamente por isso que o policial Josephs está processando, não pelo vídeo oficial, mas pelas inúmeras brincadeiras posteriores. Ele pede um total de U$ 1,2 milhões (cerca de R$ 2 milhões) por difamação e a identidade da pessoa que criou e postou os vídeos e de mais 24 usuários que fizeram comentários difamatórios sobre ele. Os vídeos, porém, não estão mais disponíveis na rede.
O advogado de Josephs contou ao site do jornal The Globe and Mail que o nível de ridículo é inaceitável e que as pessoas têm o direito de se proteger contra este tipo de atitude.
Um dos usuários do YouTube sendo processado acredita que esta atitude apenas reforça que o policial reagiu de forma exagerada às bolhas de sabão, conta o site do jornal canadense The Star .

"Não somos heróis, somos vítimas", diz minerador Franklin Lobos

"Não somos heróis, somos vítimas", diz minerador Franklin Lobos

http://oglobo.globo.com/fotos/2010/08/29/29_MHG_MINEIROS.jpg

EFE
Santiago do Chile, 18 (EFE).- O minerador Franklin Lobos, que passou 70 dias preso em uma jazida no norte do Chile junto com outros 32 trabalhadores, rejeitou a fama adquirida após o resgate e declarou que ele e seus companheiros não são heróis, mas "vítimas" da irresponsabilidade dos donos da mina São José.

"As pessoas nos dizem que somos heróis, mas não somos heróis, somos vítimas. Nós apenas lutamos por nossa vida porque temos família. Somos vítimas dos empresários que não investem em segurança", disse Lobos em entrevista publicada hoje no jornal chileno "El Mercurio".

Lobos, ex-jogador profissional de 53 anos, revelou que a "grande maioria" dos 33 operários acreditou que a companhia San Esteban, proprietária da mina San José, ia deixá-los no fundo da jazida depois do desmoronamento de 5 de agosto.


"A grande maioria pensou que a empresa ia nos deixar lá. Saía mais barato deixar a gente morrer do que nos resgatar", reconheceu o minerador, que na quarta-feira passada foi o 27º trabalhador a ser resgatado.


O ex-jogador assegurou que o grupo nunca perdeu a esperança de salvamento, embora houve momentos difíceis. "Não dependia de nós, não tínhamos nenhuma possibilidade de sair", explicou.


Segundo o minerador, o barulho das sondas que perfuravam a rocha para achá-los devolveu a esperança aos operários, embora tenha admitido que caíram em lágrimas quando a primeira delas passou da área onde se encontravam. "Nós chorávamos porque víamos uma possibilidade de sair escapando", lembrou Lobos.


Com relação ao futuro, o ex-jogador se mostrou disposto a trabalhar de novo como minerador, atividade que desempenhou durante os últimos quatro anos e que lhe permitiu manter a sua família.


"A mina não quis nos levar, a mina nos quis com vida porque nós não éramos os maus, éramos vítimas dos empresários que ganham milhões e não pensam no sofrimento dos pobres", lamentou Lobos, que no dia do acidente estava a quatro meses trabalhando na jazida San José.


Lobos, conhecido como o "Morteiro Mágico" nos anos 1980 por sua habilidade para lances livres, recebeu uma proposta da Fifa para oferecer palestras motivacionais baseadas em sua experiência na mina, onde dirigia os exercícios físicos dos companheiros para que se mantivessem em forma.


Embora ainda não tenha dado uma resposta ao convite, o minerador lamentou que a fama seja consequência do soterramento na mina e afirmou que o assédio midiático ao qual estão submetidos durará pouco. "Em 15 dias isto vai passar", antecipou o ex-jogador Lobos