Depois de desmontar a retórica, Dilma restaura a face

Depois de desmontar a retórica, Dilma restaura a face

Sérgio Lima/Folha

Já no discurso da vitória, Dilma Rousseff iniciou a desmontagem da retórica de campanha. Acenou com o fechamento da torneira dos gastos.

Dias depois, em entrevista no Planalto, flertou com o estímulo à ressurreição da CPMF. Um contrasenso para quem, nos palanques, prometera reduzir o fardo tributário.

Nesta segunda (8), em sua primeira aparição pública depois do repouso pós-eleitoral de Itacaré (BA), Dilma deu mostras de que pode recobrar também a face.

A presidente eleita exibiu-se às lentes do repórter Sérgio Lima com um rosto que a candidata não se permitia usar. Coisa parecida com a cara dos tempos de ministra.

A nova maquiagem, de estilo caseiro, deixou transparecer as rugas que sobreviveram ao bisturi pré-eleitoral. Por um instante, Dilma voltou a ser Dilma.

Em campanha, auxiliada pela cabeleireira e roupeira Rose Paz, assessora full time, ela não ia ao meio-fio sem levar uma espessa camada de cosméticos ao rosto.

Agora, já se permite ganhar o asfalto com o semblante semi-lavado. A despeito do descanso de quatro dias, exalava cansaço.

Rumava para o aeroporto, onde tomaria o avião para Seul, na Coreia do Sul. Viagem longa e fatigante.

Na reunião do G-20, talvez tenha de fazer as pazes com o estojo de maquiagem. No retorno ao Brasil, é mellhor que aposente o apetrecho.

Primeiro, porque é desnecessário. Afora seus encantos naturais, o poder dotou-a de um tipo de beleza que magnetiza instantaneamente.

Segundo, porque, na volta, mergulhará na série de reuniões em que o ministério será fechado. Encontros que exigem cara feia.

No livro “História da Beleza”, Umberto Eco deu a um dos capítulos o seguinte título: “A Beleza dos Monstros”.

No texto, anotou que, em todas as culturas, a concepção do belo sempre foi contraposta à ideia do feio.

Ressalvou que, em geral, é “difícil estabelecer, pelos vestígios arqueológicos, se aquilo que está representado era realmente considerado feio” noutras épocas.

“Aos olhos de um ocidental contemporâneo”, escreveu Eco, “certos fetiches, certas máscaras de outras civilizações parecem representar seres horríveis e disformes, enquanto para os nativos podem ou podiam ser representações de valores positivos”.

Antes de Lula tê-la convertido em candidata, os políticos que visitavam a Casa Civil de Dilma viam nela uma representação do ser “horrível e disforme” de que fala Eco.

Uma criatura que, além da cara crispada, exibia a cintura dura –mais próxima dos rigores técnicos do que das manhas políticas.

Ao longo da campanha, ajudada pela treino oral e pelo retoque facial, Dilma passou a a ser vista pelos nativos como encarnação dos “valores positivos”.

Agora, considerando-se os apetites que a rodeiam, é melhor mesmo que Dilma apareça diante dos “aliados” com aquela sua bela cara de fera.

O rosto que usou na campanha perdeu, por assim dizer, a serventia. O assédio de homens faminto$ reclama da eleita um cenho severo.

O governo de Dilma estará mais próximo do êxito quanto maior for a sensação de desamparo de seus “aliados”.

O mais macho da coalizão –do tipo que não pede, exige; não encarece, chantageia— precisa se sentir como uma espécie de mulherzinha fragilizada.

A “nova” gestão roçará o sucesso no dia em que os membros do consórcio governista começarem a queimar cuecas em praça pública.

Em desespero, clamarão por seus “direitos”, rogarão pela volta do blush e do batom que adornavam a ex-candidata.

Pausa para pensar: Você tem um comportamento ético? Assista

Pausa para pensar: Você tem um comportamento ético? Assista

Comportamento ético está em alta nas organizações e é desejável e exigido por aqueles que têm interesse em vencer em um mundo competitivo baseado no desenvolvimento sustentável e na relação "ganha-ganha". Eugenio Mussak - colunista do Emprego Certo - afirma que ninguém é mais ou menos ético. "Ou somos éticos ou não somos", afirma Mussak. Veja mais em UOL Empregos

VI JEL JORNADAS DE ESTUDOS DA LINGUAGEM


VI JEL
JORNADAS DE ESTUDOS DA LINGUAGEM

02, 03 e 04 de DEZEMBRO de 2010

Local: Instituto de Letras da UERJ
Horário: 08h às 18h


O VI JEL – Jornadas de Estudos da Linguagem – é uma iniciativa da Área de Estudos da Linguagem do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A finalidade do evento é oportunizar a troca de experiências acadêmicas entre pesquisadores, professores e alunos que se dedicam ao estudo da linguagem no Brasil e no exterior. Especificamente, as jornadas visam: a) reunir professores, pesquisadores e alunos de graduação, pós-graduação de diferentes instituições de ensino superior do Brasil para discutir questões concernentes ao uso da linguagem na sociedade; b) divulgar pesquisas desenvolvidas sobre aquisição e desenvolvimento de linguagem, ensino-aprendizagem de línguas, patologias verbais, gêneros do discurso, análise de discurso e práticas discursivas em contextos profissionais sob diferentes enfoques teóricos e abordagens metodológicas; c) dar visibilidade às linhas de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Letras da UERJ que se dedicam ao estudo da linguagem; d) estabelecer contato com pesquisadores de outras instituições do país e do exterior que desenvolvem estudos sobre o tema.

Nesta sexta edição do JEL, destacam-se os múltiplos olhares sobre o tema linguagem, uma vez que serão acolhidas submissões de estudos da linguagem vinculados à Gramática Sistêmico Funcional, à Análise de Discurso de qualquer orientação, à Linguística Aplicada, à Linguística Gerativa, à Sociolinguística, à Linguística Cognitiva, dentre outras vertentes, além de trabalhos que utilizem a Linguística de Corpus como teoria ou metodologia. O intuito é motivar o debate acadêmico e a visibilidade de pesquisas que se apóiam em diferentes teorias, no Brasil e no exterior, sem se fechar em um único olhar, elencando possibilidades teóricas e metodológicas de análise deste objeto particular: a linguagem.

Os trabalhos serão reunidos a partir de temáticas comuns em seções coordenadas por professores convidados. Cada sessão temática contará com 5 trabalhos, somando um total de 60 trabalhos ao todo. Contaremos também com duas sessões de pôsteres.

Os interessados poderão submeter os trabalhos completos para publicação em CD-ROM a ser organizado pelo Comitê Científico do VI JEL, segundo as normas de publicação elencadas no site.

Aqueles que desejarem lançar ou realizar lançamento ou mostra de obras acadêmicas ou artísticas devem entrar em contato com a coordenação do Evento, no endereço eletrônico vijeluerj@gmail.com até o dia 30 de setembro de 2010.

SALAS E HORÁRIOS


Os detalhes das atividades serão divulgados na época apropriada.
Local do Evento
Instituto de Letras
11º andar, Bloco F
Abertura / Plenárias / Encerramento RAV 112
Sessão de Comunicação 1 LIDIL LAB 4
Sessão de Comunicação 2 LIDIL LAB 3
Sessão de Comunicação 3 RAV 112
Sessão de Pôsteres LIDIL LAB 1
Exposição Livros Hall do Bl F
Coffee-Break Sala F 1138
Lançamento de Livros LIDIL LAB 1
  

PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR

 

Dia 02 de dezembro, quinta-feira

08-8:45– Inscrições e entrega de material
08:45 – Abertura solene
09-10:00 – Plenária - Aspectos sócio-cognitivos da referenciação: contribuições dos estudos neurolinguísticos
Edwiges Morato (Unicamp)
resumo | sobre a autora
INTERVALO 15 minutos: coffee-break e exposição de livros
10:15-12:15 – 1ª , 2ª e 3ª Sessão de Comunicação (5 apresentações de 20 minutos + 20 min debate)
12:15-13:15 – Almoço
13:15-14:00 – 1ª Sessão de PÔSTERES
14:00-16:00 – 3ª / 4ª / 5ª Sessão Coordenada
INTERVALO 30 minutos: coffee-break e exposição de livros
16:30-17:30 – Plenária - Como pensar mudanças na área da educação?
Cecília Souza e Silva (PUC-SP)
resumo | sobre a autora

17:30-18:00 – Lançamento de livros / exposição de livreiros

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Dia 03 de dezembro, sexta-feira

08-8:30 – Inscrições e entrega de material
8:30 -10:30 – 1ª, 2ª e 3ª Sessão de Comunicação
INTERVALO 30 minutos /exposição de livros
11-12:00 – Plenária
- Pedagogia e desenvolvimento da escrita: descrição e avaliação Carlos Gouveia (Universidade de Lisboa)
resumo | sobre o autor
12-13:00 – ALMOÇO
13-14:00 – 2ª Sessão de PÔSTERES – Alunos da graduação da UERJ
14-16:00 – 3ª , 4ª e 5ª Sessão de Comunicação
INTERVALO 30 minutos: coffee-break e exposição de livros
16:30-17:30 – Plenária - La enseñanza de la lectocomprensión de textos académicos en inglés y su contexto de apropiación.- Reflexión Didáctica
Josefina Lanzi de Zeitune (Universidad Nacional de Tucumán)
resumo | sobre a autora
17:30-18:00 – Encerramento e sorteio de livros

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Dia 04 de dezembro, sábado

08:30-9h– Inscrições e entrega de material
9h -10h– Oficina LSF
Carlos Gouveia (Universidade de Lisboa)
resumo | sobre o autor
INTERVALO 30 minutos /exposição de livros
10:30-12:30 - 1ª , 2ª e 3ª Sessão de Comunicação (5 apresentações de 20 minutos + 20 min debate)
12:30-13:30 – Almoço
13:30-14:30 – 3 ª Sessão de PÔSTERES – Alunos da graduação da UERJ
14:30-16:00 – 3ª , 4ª e 5ª Sessão de Comunicação
16:30– Coquetel de encerramento com música ao vivo

 
Local: Instituto de Letras da UERJ Departamento de Estudos da Linguagem Rua São Francisco Xavier, 524 - Sala 11033, bloco A, 11º andar Maracanã 20550-900 - Rio de Janeiro - RJ E-mails: vijeluerj@gmail.com  

INSCRIÇÕES

Para efetuar a inscrição, leia atentamente até o final desta página.
Categorias de inscrição:
• Alunos de graduação*: R$ 10,00 • Alunos de pós-graduação*: R$ 30,00 • Professores universitários e Pesquisadores: R$ 60,00 • Professores da rede pública e privada *: R$ 40,00 • Outros profissionais: R$ 60,00
* comprovação exigida
As inscrições serão realizadas online, através de formulário eletrônico e submissão de comprovante de depósito bancário na conta do VI JEL UERJ.
A inscrição deve ser feita somente após o pagamento, pois é necessário informar o número do comprovante do depósito e, em caso de DOC, o nome do banco.
Dados para Pagamento da Inscrição (depósito, transferência, ou DOC)
Banco Itaú
Agência: 6134 - Maracanã/UERJ
Conta poupança: 43003-9 /500
em favor de Tânia G. Saliés / Tânia Shepherd/ Sandra Bernardes
Comitê Organizador do VI JEL UERJ.
Alunos de graduação e pós-graduação, assim como professores da rede pública deverão submeter comprovante de matrícula e vínculo no ato da inscrição, eletronicamente, junto com o comprovante do depósito.
Todos os participantes precisam se inscrever, com ou sem submissão/apresentação de trabalhos.
 

FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história

FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história


MARIA CRISTINA FRIAS
COLUNISTA DA FOLHA

 
VINICIUS MOTA

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO 


http://maierovitch.blog.terra.com.br/files/2009/03/a-fhc1.jpg "Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ontem, em entrevista no instituto que leva seu nome, no centro de SP.
Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defende que o partido anuncie dois anos antes das eleições presidenciais seu candidato. "O PSDB não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D."
O ex-presidente diz que Lula "desrespeitou a lei abundantemente" na campanha e que promove "um complexo sindical-burocrático-industrial, que escolhe vencedores, o que leva ao protecionismo".
Para FHC, a tradição brasileira de "corporativismo estatizante está voltando". Lula é uma "metamorfose ambulante que faz a mediação de tudo com tudo".
Folha - José Serra aproveitou a oportunidade do segundo turno como deveria?
Fernando Henrique Cardoso -
Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele. Tomou as decisões dele na campanha, com o [marqueteiro Luiz] Gonzalez. Não fez diferente do que se esperaria de Serra como um candidato persistente, que define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente.
O PSDB, e não o Serra, tem outros problemas mais complicados. Não é falta de bons candidatos. O problema é ter uma noção do coletivo, uma linguagem que expresse o coletivo, que não pode ser fechado no partido. Numa sociedade de 130 milhões de eleitores, a mensagem conta muito --no conteúdo e no modo que se transmite.
Como o Lula ficou muito fixado numa comparação para trás, os candidatos esqueceram a campanha e não definiram o futuro. Esse é o desafio --para o PSDB também.
O nosso futuro vai ser, outra vez, fornecer produtos primários? Ou vamos desenvolver inovação, modificar a educação, continuar a industrialização. Isso não foi posto [na campanha]. Qual será nossa matriz energética. Preocupa-me muito a discussão do petróleo.
Nesse campo, o seu governo quebrou o monopólio da Petrobras e implantou o modelo de concessão. A fórmula proposta por Lula, de partilha, para o pré-sal, que traz novos privilégios à Petrobras, é melhor?
Não posso responder, porque não vi a discussão. Preocupa-me esse modelo porque força uma supercapitalização [da Petrobras] sem que se saiba bem qual será o modelo de venda desse petróleo. Essa forma de partilha proposta é uma estatização do risco. O risco quem corre é o Estado, ao contrário do modelo de concessão.
O que estamos fazendo é uma dívida. Isso obriga a sobrecapitalizar a Petrobras. Parece que não temos mais problemas de poupança no Brasil. Entramos numa ilusão tremenda nessa matéria. O Tesouro faz a dívida com o mercado e empresta para o BNDES ou para a Petrobras. É como se não precisássemos mais poupar. Mas a dívida está aí. Essa questão o PSDB não politizou.
O governo Lula mobiliza fundos públicos e paraestatais e patrocina a formação de grandes empresas no país, uma espécie de complexo "industrial-burocrático", parodiando o "industrial-militar" do Eisenhower [em 1961, ao deixar o governo, o então presidente dos EUA Dwight Eisenhower alertou para os riscos de uma influência excessiva do complexo industrial-militar para o processo democrático]. Há mais ruptura ou continuidade em relação ao processo que se iniciou no seu governo, quando o BNDES e os fundos de pensão das estatais viabilizaram as privatizações?
Tudo é uma questão de medida. Os fundos [de pensão] entraram na privatização porque já tinham ações nas teles e participar do grupo de controle lhes dava vantagem. Fizeram um bom negócios Mas tive sempre o cuidado da diversificação. No mundo integrado de hoje, convém que a economia tenha um setor público eficiente e que tenha um setor privado, nacional e estrangeiro. Tentamos equilibrar isso.
O problema agora é de tendência, de gigantismo de uns poucos grupos, nesse complexo, que na verdade é sindical-burocrático-industrial, com forte orientação de escolher os vencedores. Isso é arriscado do ponto de vista político e leva ao protecionismo.
A máxima "política tem fila" foi usada para defender a precedência de Serra sobre Aécio na eleição de 2010. A fila andou ontem? Chegou a vez de Aécio Neves no PSDB?
Eu não posso dizer que passou a primeiro lugar, mas que o Aécio se saiu bem nessa campanha, se saiu. Não posso dizer que passou a primeiro lugar porque o Serra mostrou persistência e teve um desempenho razoável.
Não diria que existe um candidato que diga: "Eu naturalmente serei". Mas o PSDB também não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D. Dentro de dois anos temos de decidir quem é e esse é tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo.
Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história. Tem limites para isso, porque não dá certo. Tem de defender o que nós fizemos. A privatização das teles foi bom para o povo, para o Tesouro e para o país. A privatização da Vale foi um gol importante, porque, além do mais, a Vale é uma empresa nacional. A privatização da Embraer foi ótima.
Então por que não dizer isso? Por que não defender? Privatizar não é entregar o país ao adversário, pegar o dinheiro do povo e jogar fora. Não. É valorizar o dinheiro do país. Tudo isso criou mais emprego, deu mais renda para o Estado.
Do ponto de vista econômico, as questões estão bem encaminhados. Os motores da economia são fortes. Os problemas maiores são em outras áreas: educação, segurança, democracia, igualdade perante a lei, droga. Não é para saber se a economia vai crescer, é se a sociedade vai ser melhor.
Sobre a democracia no Brasil, o sr. escreveu, recentemente, que é uma maquinaria institucional em andamento, mas que lhe falta o "espírito": "a convicção na igualdade perante a lei, a busca do interesse público e de um caminho para maior igualdade social". Sinais desse espírito no processo eleitoral que se encerrou?
Francamente não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Do ponto de vista da cultura política, nós regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional --a eleição foi limpa, livre. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.
Houve abuso do poder político, que tem sempre um componente de poder econômico. Quantos prefeitos foram cassados aqui em São Paulo, por exemplo em Mauá, por abuso do poder econômico? Por nada, comparado com esse abuso a que assistimos agora. Não posso dizer que houve progresso da cultura democrática brasileira.
Aqui está havendo outra confusão. Pensar que a democracia é simplesmente fazer com que as condições de vida melhorem. Ela é também, mas não se esqueça que as ditaduras fazem isso mais depressa.
Como o sr. vê a volta de temas como religião na campanha?
Com preocupação. O Estado é laico, e trazer a questão religiosa para primeiro plano de uma discussão política não ajuda. Todas as religiões têm o direito de pensar o que queiram e de pregar até o comportamento eleitoral de seus fieis. Mas trazer a questão como se fosse um debate importante, não acho que ajude.
A dose dos chamados marqueteiros nas campanhas tucanas está exagerada?
Sim, em todas as campanhas. Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança.
Sem perceber que a verdadeira questão é como você transforma em problema uma coisa que a população não percebeu ainda como problema. Liderar é isso. Aí você abre um caminho. A pesquisa é útil não para você repetir o que ela disse, mas para você tentar influenciar no comportamento, a partir de seus valores.
Suponha uma pesquisa sobre privatização em que a maioria é contra. A posição do líder político é tentar convencer a população [do contrário]. O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo. O líder muda, não segue.
Como mostrar as diferenças entre PT e PSDB? As ideias tucanas não são difíceis de assimilar?
Você se lembra de quando fui presidente? A ambição de todo mundo era cortar a burocracia. Por quê? Porque foi politizado.
É preciso politizar, e não é na hora da campanha.O PSDB, quando digo que tem que ter por referência o coletivo e ter um projeto, é agora. Não é para daqui a quatro anos. Daqui a quatro anos é tarde. Ou durante quatro anos você martela os seus valores e transforma os seus valores em algo que é compartilhado por mais gente, ou chega lá e não consegue. É tarde.
Mas o PSDB deixou o Lula falando sozinho um bom tempo.
Não foi só o PSDB. Foi todo mundo. Quando o nosso sistema presidencialista é exercido a partir de uma pessoa carismática como o Lula e que tem por trás um partido organizado, ele quase se torna um pensamento único.
Aqui, fora da campanha, só o governo fala. Quando fala sem parar, o caso atual, e sob forma de propaganda, fica difícil de controlar. No meu tempo, também era o governo que falava. Como não tenho o mesmo estilo e não usava uma visão eleitoreira o tempo todo, não aparecia tanto. Mas isso é da cultura brasileira.
Jornal dá o "outro lado", mas a TV não dá --só dá na campanha. O que a mídia em geral transmitiu ao longo desses oito anos? Lula, violência e futebol.
A oposição, liderada pelo PSDB, ficou mais forte nos Estados e mais fraca no Congresso. Como fará para resistir à força gravitacional do Planalto?
Não é fácil, porque os Estados têm interesses administrativos. Mas um pouco mais de consistência oposicionista pode. No regime militar, Montoro e Tancredo eram governadores e se opunham. É preciso recuperar um pouco essa dimensão política.
Mas o carro chefe para puxar [a oposição] não pode ser o governador. Tem de ser o partido. E não é o PSDB só. Esses 44 milhões [votação de Serra no domingo] não são do PSDB. É uma parte da sociedade brasileira que pensa de outra maneira. E não se pode aceitar a ideia de que são os mais pobres contra os mais ricos. Nunca vi uma elite tão grande: 44 milhões de pessoas.
A polarização nacional entre PT e PSDB completou 16 anos. Tem feito mais bem ou mais mal ao Brasil?
O que o Chile fez na forma da Concertação [a aliança entre o Partido Socialista e a Democracia Cristã que governou o Chile de 1990 a 2010], fizemos aqui sob a forma de oposição. Há muito mais uma linha de continuidade que de quebra. Queira ou não queira, o pessoal do PT aderiu, grosso modo, ao caminho aberto por nós. Isso é que deu crescimento ao Brasil. A briga, na verdade, é pelo poder, não é tanto pelo conteúdo que se faz. No tempo que cheguei lá, eu escrevi o que ia fazer e fiz. Nunca mudei o rumo. O Lula mudou o rumo. Agora acho que tem aí o começo de um rumo que não é o mesmo meu, que é esse mais burocrático-sindical-industrial. E tem uma diferença na concepção da democracia, e o PSDB tem de acentuar essa diferença.
Mas o que seria essa social-democracia?
Social-democracia, vamos devagar com o ardor. O sujeito da social-democracia europeia eram a classe trabalhadora e os sindicatos. Aqui são os pobres. O Lula deixou de falar em trabalhador para falar em pobre. Mudou. Nós descobrimos uma tecnologia de lidar com a pobreza, mas estamos por enquanto mitigando a pobreza.
Tem de transformar o pré-sal em neurônio. Esse é o saldo para uma sociedade desenvolvida. Social-democracia hoje é isso. É inclusão social, respeitando o mercado, sabendo que o Estado terá um papel importante, mas não é tudo, e que o mercado tem de ser regulado de olho numa inclusão que não seja só de mitigação. Não pode ter predomínio do olhar do Estado. Está se perfilando, no PT e adjacências, uma predominância do olhar do Estado, como se o Estado fosse a solução das coisas. Continuo achando que o Estado é indispensável, mas a sociedade deve ter uma participação mais ativa. Os movimentos sociais estão todos cooptados.
Então a diferença entre PT e PSDB, para o sr., se dá em relação ao papel do Estado.
Mas não no sentido de não ter papel para o Estado. No sentido de que esse papel tenha de ser de um Estado que se abra para a sociedade. Não de um Estado burocrático, que se imponha à sociedade.
A nossa tradição é de corporativismo estatizante, e isso está voltando. É uma mistura fina, uma mistura de Getúlio, Geisel e Lula. O Lula é mais complicado que isso, porque é isso e o contrário disso. Como é a metamorfose ambulante, faz a mediação de tudo com tudo.
Lula sempre faz a mediação para que o setor privado não seja sufocado completamente. Não sei como Dilma vai proceder.
O sr. sente que isso tende a se aprofundar nesse novo governo?
Sim, a segunda parte do segundo mandato de Lula foi assim. A crise global deu a desculpa para o Estado gastar mais. E o pobre do Keynes pagou o preço. Tudo é Keynes [O economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) defendeu, em sua obra "Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda", a intervenção do Estado na economia para controlar as crises econômicas]. Investimento não cresceu, gasto público se expandiu, foi Keynes.
Não acho que o Brasil vá no sentido da Venezuela porque a sociedade nossa é mais forte. Aqui há empresas, imprensa, universidades, igrejas, uma sociedade civil maior, mais forte. Isso leva o governo a também ter cautela. Veja o discurso da Dilma de ontem [domingo]. Ela beijou a cruz.
Como todo mundo percebia uma tendência nesse sentido, ela disse: "Olha aqui, vou respeitar a democracia, vou dar a mão a todos". Ela tem que dizer isso, porque senão ela não governa.
O que esperar de Dilma Rousseff, que estreia num cargo eletivo logo na Presidência, no dia 1º de janeiro?
Nós não sabemos não só o que ela pensa, mas como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma. Vamos ver o que vai acontecer com a conjuntura econômica, mundial e aqui. Há um problema complicado na balança de pagamentos, um deficit crescente, uma taxa de juros elevada e uma taxa de câmbio cruel. 

Fonte: Folha

Setores conhecidos por agredir meio ambiente doam valores expressivos à campanha de Marina

Setores conhecidos por agredir meio ambiente doam valores expressivos à campanha de Marina

Débora Zampier
Da Agência Brasil
Em Brasília
Empresas de segmentos conhecidos por agredir o meio ambiente, como metalurgia, mineração, papel e celulose, fertilizantes e cana-de-açúcar, foram responsáveis pela doação de um montante expressivo da campanha da candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República nas eleições deste ano, Marina Silva: cerca de R$ 3 milhões. O valor corresponde a 12,5% do total arrecadado - R$ 24,1 milhões.


Só na área de mineração e metalurgia, arrecadou-se quase R$ 1 milhão. A Companhia Brasileira de Siderurgia e Mineração contribuiu com R$ 300 mil; a Companhia Metalúrgica Prada, com R$ 150 mil; e a Urucum Mineradora, com R$ 500 mil. No ramo de fertilizantes, as doações foram da Fosfértil (R$ 600 mil) e da Bunge Fertilizantes (R$ 100 mil).

No ramo de papel e celulose, a Suzano contribuiu com R$ 532 mil e a Klabin com R$ 250 mil. A Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) doou R$ 250 mil e a Cosan, uma das maiores produtoras mundiais de cana-de-açúcar, também doou R$ 250 mil.


O principal segmento que doou para a campanha de Marina foi o da construção, que sozinho respondeu por mais de R$ 3 milhões. As contribuições foram da Andrade Gutierrez (R$ 1,1 milhões), Camargo Correa (R$ 1 milhão) e Construcap (R$ 1 milhão).


O segmento bancário também foi expressivo na arrecadação, responsável por quase R$ 3 milhões. O maior doador foi o Banco Alvorada (empresa que doou o maior montante da campanha), com R$ 1,7 milhões, seguido pelo Itaú Unibanco, com R$ 1 milhão, Banco Safra, com R$ 200 mil, e Banco Rodobens, com R$ 50 mil.

Eleitores dos EUA votam sobre maconha, língua oficial e aborto


Eleitores dos EUA votam sobre maconha, língua oficial e aborto

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Além de eleger políticos para cargos públicos nos âmbitos estadual e federal, os eleitores nos Estados Unidos votam nesta terça-feira (2) alguns polêmicos projetos sobre temas tão variados quanto a legalização à maconha e a proibição de criadouros de cães, passando pela quase supressão de impostos ou a abolição da reforma da saúde. 
Como costuma ser habitual em pleitos nos EUA, a jornada eleitoral para nomear representantes públicos serve também para promover consultas populares sobre iniciativas locais impulsionadas por parlamentares ou grupos civis que buscam o apoio social para introduzir reformas nas leis dos Estados.
As legislativas de meio de mandato, que se anunciam muito difíceis para os democratas do presidente Barack Obama, estarão acompanhadas de 160 referendos organizados em 50 Estados do país, sem contar com as centenas de consultas previstas em condados e comunidades. Quarenta referendos estaduais surgiram de "iniciativas cidadãs". 
Embora impressionem, estes números de fato representam uma queda em comparação à grande consulta nacional de 2008, quando medidas polêmicas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia atraíram os eleitores às urnas e, de quebra, elegeram o presidente.
Desta vez, também estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 37 dos 100 assentos no Senado e 37 vagas de governadores, além de outros cargos locais e estaduais. 
Maconha
Neste ano, a Califórnia concentra grande parte do interesse midiático não só pelo fim da carreira de Arnold Schwarzenegger como governador, mas também porque os cidadãos terão de decidir sobre a legalização da maconha.
A descriminalização dessa droga, que atualmente é legal na Califórnia quando usada sob prescrição médica para fins medicinais, autorizaria seu cultivo, posse, consumo e compra por parte dos maiores de 21 anos. Se ratificada, a medida significaria uma importante fonte de renda do governo, por meio de impostos.
As últimas pesquisas de opinião estimam, no entanto, que a maioria da população deve se opor ao consumo livre da maconha, diante dos temores de que sua banalização aumente o risco de acidentes, tenha consequências no ambiente de trabalho ou crie uma plataforma legal para os traficantes na Califórnia.
Conhecida como Proposição 19, essa medida entraria em contradição com as leis federais, que continuariam considerando a maconha como uma substância proibida.
Outros estados, como Arizona e Dakota do Sul, decidirão nas urnas se legalizam a maconha para fins medicinais, tal como já ocorre em 14 dos 50 estados americanos. Illinois, Massachusetts, Nova York, Carolina do Norte, Ohio e Pensilvânia também poderiam se somar a essa lista por meio de projetos de lei.
Neste último estado, também deverão se pronunciar sobre uma abolição da lei antifumo.
Caça e pesca
Além de votar sobre a maconha, os cidadãos do Arizona decidirão se reformam a constituição estadual para incluir a caça e a pesca como um direito fundamental, algo que também será votado no Tennessee e no Arkansas.
Tal medida foi qualificada de "ridícula" pelos opositores, mas os defensores a consideram necessária para garantir, por lei, atividades que poderiam ser ameaçadas no futuro por grupos ambientalistas.
Cães
Já no Missouri, os defensores dos animais querem regulamentar os criadouros de cães e criminalizar "a crueldade nas fábricas de filhotes".
Inglês
Em Oklahoma, se tentará aprovar uma emenda constitucional para reconhecer o inglês como idioma oficial do território e o único, junto às línguas dos índios americanos, possível de ser usada pela Administração estadual. 
Trata-se de uma tentativa das autoridades de consolidar o inglês no Estado, diante do aumento da imigração hispânica. Se aprovada, a iniciativa tornaria Oklahoma o 31º estado a adotar o inglês como língua oficial.
Aborto
No Colorado, os eleitores terão de se posicionar sobre a questão do aborto. Eles devem responder basicamente se consideram o feto uma pessoa. A proposta, promovida por grupos antiaborto, pretende modificar a constituição para que as leis protejam "todos os seres humanos, desde o início de seu desenvolvimento biológico".
Além disso, neste Estado, assim como no Arizona e em Oklahoma, os eleitores se pronunciarão sobre o bloqueio à reforma do sistema de saúde, a grande vitória legislativa de Barack Obama.
Nome oficial
Os habitantes de Rhode Island responderão nas urnas uma questão de identidade local, se aceitam ou não modificar o nome oficial do Estado.
Atualmente, o território é denominado em sua constituição como "State of Rhode Island and Providence Plantations". Os legisladores consideram que chegou o momento de o estado se chamar simplesmente "State of Rhode Island".
Xerifes
Uma consulta popular também será submetida na Carolina do Norte, onde se discute a proibição de que ex-presidiários possam se candidatar a xerife em algum dos condados.
Impostos
Há propostas em nove Estados para reduzir impostos, especialmente no Colorado, onde o orçamento estadual diminuiria, segundo um estudo, para US$ 38 milhões se as iniciativas forem adotadas, representando uma economia de impostos de 1.360 dólares ao ano por família.
Campanhas financiadas
Nestes tempos de dificuldades econômicas, "organizar um referendo de iniciativa popular é muito caro", explicou a cientista política Jeannie Drage Bowser, da conferência nacional de parlamentos estaduais. Mas certos grupos de interesse não hesitaram em financiar suas iniciativas.
A indústria petroleira destinou US$ 3,6 milhões para uma proposta com vistas a suspender a lei que limita as emissões de gases de efeito estufa na Califórnia. Ela não entraria em vigor até que a taxa de desemprego do estado não cair para 5,5% e permanecer neste nível por pelo menos um ano. Atualmente, a taxa de desemprego californiana supera 12% da população economicamente ativa.
Em Washington, redes de distribuição destinaram US$ 3,1 milhões para impulsionar uma iniciativa que autorizaria a venda de álcool fora das lojas de bebidas alcoólicas de administração pública. E a federação de produtores de bebidas bateu todos os recordes no mesmo Estado, ao dedicar pouco menos de US$ 17 milhões a uma iniciativa que eliminaria os impostos sobre as garrafas de água e refrigerante, bem como sobre as confeitarias.
Na Califórnia, o investidor multimilionário George Soros doou US$ 1 milhão para a proposta que visa a legalizar a maconha.

*Com agências internacionais

O PROJETO LIVRO FALADO



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Nasceu com o objetivo de unir pessoas com deficiência visual e videntes através da literatura e do teatro. Somos apaixonados pelo livro e pela linguagem cênica. Acreditamos que a única coisa que podemos fazer nesta vida é nos humanizarmos, mas não se trata de humanidade por humanidade.
A base estrutural deste PROJETO é a qualificação tanto da pessoa com deficiência visual para a atuação na cena quanto do ledor voluntário para a feitura de livros falados. Nestes caminhos. buscamos criar encontros que primem pela riqueza artística onde o homem se eleve de sua condição básica. É disso que se trata este PROJETO: encontros que enriqueçam nossa humanidade.

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  • Discutir o fazer teatral inclusivo.
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